Moda exportação

Wagner Penna

O sonho de promover a exportação de moda “made in Brazil” existe desde que a nossa indústria de confecções ganhou alguma musculatura interna – a partir dos anos 1960. Embora a criação da Fenit e dos famosos shows da Rhodia para mostrar que já possuíamos moda com DNA próprio, a coisa não prosseguiu. O ponto frágil da questão é e continua sendo a falta de políticas públicas para estimular o assunto.

Os esforços pessoais de alguns estilistas e de outras tantas empresas sempre esbarraram nessa barreira. Exportações pontuais e com valores mínimos sempre foram festejadas como um triunfo. Mas são quase um ponto perdido no volume do comércio fashion mundial. Traduzindo: inexiste.

O esforço para melhorar esse quadro continua nas áreas que apóiam a indústria da moda, caso da Apex-Brasil e Sebrae, que, recentemente, assinaram acordo para “ampliar a participação dos pequenos negócios nas exportações brasileiras”, beneficiando 300 empresas – algumas delas de moda.

Enquanto isso, a determinação de alguns empreendedores mantém acesa essa chama – caso da grife mineira PatBo, que, mais uma vez, mostrou sua  nova coleção durante a Semana de Moda de Nova York. Lançada em vídeo e com inspiração no cordel, sua presença ali contribui para lembrar ao mercado do hemisfério norte que o Brasil (ainda) faz boa moda. 

É uma tarefa e tanto – e que merece elogios.

VAIVÉM

 

  • Um estudo da Modifica (que monitora assuntos ligados à sustentabilidade fashion) divulgou que o Brasil produz cerca de 42 peças de roupas por habitante ao ano. É muita coisa. Como curiosidade, vale lembrar que nos anos 1950 uma das mulheres mais elegantes e ricas do país, chamada Elizinha Moreira Salles, dizia na revista O Cruzeiro que “a mulher de bom senso jamais compra mais que 12 vestidos ao ano”.



  • Se você ainda não ouviu falar da nigeriana Ngoz Okonjo-Iweala, procure saber mais sobre ela. Primeira mulher a ocupar a presidência da Organização Mundial do Comércio (OMC), seu lado fashion se destaca por usar sempre roupas ao estilo africano – com estampas alegres e o um turbante do mesmo tecido. Economista brilhante, foi ministra da Economia em seu país.

 

PONTO FINAL. 

A Semana de Moda de Nova York (que inicia o circuito de lançamentos internacionais das grandes marcas – que, depois, prossegue em Londres, Milão e Paris) quer se tornar mais receptiva à própria indústria fashion norte-americana. Para isso, seu presidente, o estilista Tom Ford, enviou carta aos seus membros avisando sobre a mudança de nome daquela “fashion week” que, agora, será chamada de “Calendário de Coleções Americanas”.  Uma decisão de bom senso.

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