Mistério ronda crimes em Divinópolis

Gisele Souto

 O ditado “não existe crime perfeito” é bem conhecido no meio jurídico. Em muitos casos, ele é tido como verdadeiro. O criminoso sempre deixa uma pista que leva a polícia a ele. Porém, em Divinópolis, a frase nem sempre parece se encaixar. Pelo menos em alguns crimes emblemáticos registrados há 30 anos e outros recentes.

Na década de 1980, foram registrados três assassinatos que ganharam grande repercussão. Foram mortos mais ou menos no mesmo período o irmão Lopes, à época diretor do Hospital São João de Deus; Ivan Silva, colunista social; e Beto Carlos, dono de equipamentos de som que prestava serviço para eventos.

Já se passaram mais de três décadas e até hoje não se tem rastros dos autores. Após esse período, houve o registro de pelo menos mais um semelhante e que ainda permanece o mistério.

 Recentes 

Em junho de 2016, Daniela Mesquita, 36, foi morta pouco depois de sair de casa com a família para ir ao supermercado. Ao passar pela ponte que liga o Centro ao bairro Niterói no início da noite de uma desta terça-feira, foi alvejada com um tiro no peito.

A Polícia Militar (PM) informou à época que uma pessoa se aproximou do veículo, um Fiat Uno em que ela estava com o marido e o filho, e disparou. Ela, que estava no banco de passageiro, chegou a ser levada para o hospital, mas não resistiu.

A ação do criminoso foi rápida, enquanto pararam no semáforo. A reconstituição foi feita cinco dias depois, sob o comando do delegado Marcos Henrique Mont'Alverne, que investigava o caso. Porém, já se passaram dois anos e um mês e nenhum suspeito foi preso.

 Há três meses 

Uma ocorrência recente que chocou a cidades aconteceu no dia 26 de abril deste ano. Três pessoas morreram e nove ficaram feridas em um atentado à clínica de recuperação "Resgatando os Cativos", projeto social voltado à reabilitação de dependentes de álcool e crack. O ataque ocorreu por volta das 22h, na rua Soldado Geraldo Fernandes, 700, no bairro Itacolomi, em Divinópolis.

Ao menos oito criminosos arrombaram um portão, foram aonde alguns internos dormiam e efetuaram vários disparos de arma de fogo para cima. Em seguida, atearam fogo no local e fugiram. Chamas destruíram parte da estrutura.

Alguns internos não conseguiram se livrar das chamas, porque ficaram presos debaixo de camas, e morreram carbonizados entre os escombros.

As primeiras investigações da Polícia Civil (PC) apontaram que a principal hipótese é de que o ataque não tenha tido o objetivo de matar alguém específico, mas sim de assustar os integrantes da clínica.

Atualmente à frente da delegacia de Homicídios, Vivalde Levilessi informou que foi dada atenção especial a esse caso pela barbaridade e garante que as investigações estão andando. Diz também que a Polícia Civil trabalha em busca de mais provas.

 O último 

O 32º homicídio do ano registrado na cidade também foi bárbaro. A Polícia Civil investiga a morte de Bruno Guimarães, 39. Ele foi covardemente espancado no início da noite desta segunda-feira, 2, na rua Fernão Dias, no bairro Porto Velho. Segundo testemunhas, ele foi espancando com pedaços de pau em um lote vago e levado diretamente à Sala Vermelha do São João de Deus devido ao estado grave. Deu entrada por volta das 19h, mas morreu aproximadamente às 23h.

A PM fez buscas nas proximidades e pelo bairro. Porém, nenhum suspeito havia sido localizado. Sobre esse crime, Vivalde Levilessi disse que as diligências são feitas e que a principal suspeita gira em torno de usuários de drogas nas proximidades.

 

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