Ministério Público ajuíza ação contra Galileu por oferta de cargo

 

Da Redação

O Ministério Público (MP) ajuizou uma ação de improbidade administrativa contra o prefeito Galileu Machado (MDB), pela oferta ilícita de cargo ao seu ex-aliado Marcelo Máximo de Morais. A ação foi ajuizada no dia 1° deste mês, e além do prefeito, são réus no processo Marcelo Máximo de Morais, a secretária de Administração, Raquel Freitas, o secretário de governo, Roberto Chaves e o editor do Divinews, Geraldo Passos.

De acordo com o promotor Gilberto Osório, durante as investigações ficou comprovado que o prefeito havia oferecido o cargo a Marcelo Marreco com a finalidade de silenciá-lo.

— A oferta do cargo foi na tentativa de fazer com que o Marcelo Máximo não usasse a Tribuna [Livre] como ele fez. Essa atitude fere o princípio da moralidade pública — explica.

Caso

No dia 24 de abril último, Marcelo Marreco, como é conhecido, usou a Tribuna Livre da Câmara para denunciar o prefeito. De acordo com Marreco, o chefe do Executivo havia lhe oferecido um cargo na Prefeitura, onde ele não precisaria trabalhar. Além da denúncia, Marcelo entregou uma cópia do CD com a gravação das ligações.

Na ligação repassada à Câmara, o prefeito diz a Marcelo o seguinte: “semana que vem deve ir” e que “o negócio é difícil demais”, sem especificar o quê. O ex-aliado de Galileu entregou ainda aos vereadores, uma cópia do Decreto 12.914, onde ele é nomeado para o cargo de coordenador de Abastecimento e Segurança Alimentar na Secretaria de Agronegócios. O decreto entraria em vigor no dia 23 de abril, após ser publicado no “Diário Oficial”, porém, a norma não chegou a ser veiculada.

— Não tem tempo de arrumar não, sabe Marcelo? Cê tá lá trabalhando e é só gente, gente, gente, mas eu já combinei com o Kaboja [vereador Rodrigo Kaboja (PSD)] e semana que vem vai. Você vai trabalhar lá dentro — afirma.

Galileu pergunta ainda ao ex-aliado em quê ele trabalha e a resposta é a de que atua no ramo da construção civil.

— Mas você vai ficar na coordenadoria, um trem assim, não vai trabalhar não — teria completado Galileu.

No dia 25 de abril, o ex-aliado do prefeito procurou o Agora e entregou novas gravações envolvendo o ex-assessor especial da Prefeitura, Fausto Barros, a secretária de Administração, o secretário de governo e o editor do Divinews.

Investigação

Logo após as denúncias, o MP instaurou um procedimento preparatório para apurar “possível prática de ato de improbidade administrativa pelo prefeito, consistente em nomear Marcelo Máximo de Morais Fernandes para o cargo em comissão de coordenador de Abastecimento e Segurança Alimentar na Secretaria Municipal de Agronegócios (Semag), por meio do Decreto Municipal n° 12.914, de 23 de abril de 2018, para que recebesse remuneração sem efetivamente trabalhar”.

Sem montagem

Durante as investigações, o Instituto de Criminalística da Polícia Civil afirmou que não tem montagem nos áudios entregues por Marcelo Marreco ao Ministério Público. O prefeito prestou depoimento ao MP no dia 11 de julho, e segundo o promotor Gilberto Osório, durante o seu depoimento, Galileu afirmou estar de consciência tranquila, pois não havia feito oferta ilícita do cargo.

Ainda segundo o promotor, o prefeito disse que não havia escutado o áudio divulgado pelo seu ex-aliado. Osório revelou ao Agora que colocou o áudio para que o prefeito ouvisse e ele alegou que, em momentos da gravação, não dá para entender o que ele diz.

Conforme ainda o promotor, Galileu relatou que a nomeação de Marcelo Marreco seria feita com base na capacidade dele para exercer o cargo.

— Ele disse em seu depoimento que não nomeou o Marcelo para o cargo porque perdeu a confiança nele — conta.

Prefeitura

De acordo com a Prefeitura, nenhum dos réus ainda foi notificado pelo MP.

 

 

 

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