Mexa-se e seja feliz

Augusto Fidelis 

À medida que os cientistas avançam na descoberta de medicamentos para curar as diversas doenças existentes, novas doenças vão aparecendo e a população se torna cada vez mais doente. É verdade que a perspectiva de vida aumentou nos últimos 20 anos, mas aumentou também o número de pessoas dependentes de medicamentos para continuar vivendo. 

Enquanto isso, consultórios, clínicas e postos de saúde se mantêm abarrotados, além das dezenas à espera por uma vaga, seja para uma simples consulta ou mesmo internação, já que ter plano de saúde não significa mais atendimento imediato.

Um dia desses fui ao médico e, depois de examinar a minha papelada, disse: “Você tende a ficar diabético, a glicose está alterada. Acho que você não deve deixar”. Com uma previsão tão funesta, não tive como evitar que a tristeza invadisse a minha’alma. Ao sair do consultório, na primeira esquina, encontrei-me com um amigo. Este, ao se queixar de tantos problemas de saúde, observou: “Engraçado, sô, não bebo, não fumo, evito noitadas, e não sei onde arranjo tanta macacoa”. 

Daí, respondi: meu caro, precisamos jogar fora um pouco de juízo, sair para dançar, cantar e assim espantar os males que nos afligem. Coincidentemente, nesse meio tempo, recebi uma revista do Instituto do Coração de São Paulo, que me fora enviada por Rita Amorim, com 21 receitas para diabéticos, inclusive o bife rolê com cerveja.

Entre os vários artigos de interesse para as pessoas que sofrem com essa terrível doença, um chamou a minha atenção de maneira especial, sob o título: “É hora do baile”, escrito por Fabiana Grillo, no qual a jornalista realça: “Não importa o ritmo: a dança é uma divertida e prazerosa aliada no controle do diabetes, além de favorecer o resgate cultual e o convívio social”, para acrescentar logo em seguida: “Todo diabético sabe que precisa fazer exercícios físicos. Mas, como qualquer outra pessoa, nem sempre consegue.”

No entanto, na opinião do professor Maurício Cavalcanti, citado na matéria, é preciso tentar, pois “a dança é uma excelente atividade aeróbica. Ela desenvolve a coordenação motora, ameniza o estresse, ativa o metabolismo da glicose e favorece o sistema cardiovascular”.

Na matéria, Fabiana Grillo cita o caso de Maria Neide, diabética tipo 2, que perdeu 25 quilos desde que passou a frequentar os bailes da terceira idade. Diante disso, estou pensando seriamente em fazer dança flamenca. Lá a gente bate os pés, as mãos, estufa o peito e grita: olé! É isso mesmo: aguardem o meu show, tenho ordens para arrasar!  Para Carlos Drummond de Andrade, estar feliz sem motivo é a verdadeira felicidade.

augustofidelis1@gmail.com

 

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