Mês de maio, Coroação de Nossa Senhora

Rotativa

 Mês de maio,

 Coroação de Nossa Senhora

 Maio ‒ que alegria! Era tempo de coroação à Virgem Maria por anjinhos compungidos esvoaçantes, leves. E era só "anjinhas”. Os machinhos que esperassem seu dia de glória, quem sabe? 

 E mais: as anjinhas coroadoras só podiam ir de longuete e azul ou rosa, ou branco. E nada de inventar moda. Estava escrito… Mães zelosas guardavam os vestidos em grandes caixas… Para o ano vesti-las de novo. 

 E eu, encantada com aquela visão angelical, mas sempre meio que amuada ‒ é que na coroação nada de sobrar asa pra mim, e eu ia com uma perigosa velinha acesa, mas muito triste e revoltada mesmo. Nunca sobrava asa para mim e a maninha mimada Rita tinha tudo e ainda coroava Nossa Senhora, nossa ídola...

Pois bem, naquele dia eu me vingaria. O vestido dela, de tão batido, desmanchara. E a mana Ritinha, que cantava muito bem, não podia faltar. Pois minha mãe não deixava nada por menos Correu lá no Novo Mundo do Sr. Clarimundo, comprou um retalho alaranjado – era a cor que restava ‒ mandou a Dona Rosinha fazer o vestido de anjo para a Rita, que já se desfazia em lágrimas. Desta vez ela ia falhar mesmo, porque não tinha roupa azul ou rosa para ir coroar.

 Foi nada, não, a costureira se desdobrou e lá estava a Ritnha, de anjo, para ir coroar Nossa Senhora. Allegria geral e… Minha da Ritinha, a bonitinha... Inveja e raiva me ajudaram. Aticei o cachorrão da Dona Lica já assustado com a cor alaranjado brilhante, na Rita que se desfazia em lágrimas soluçantes...

E agora, o que ia ser de mim, que tinha atiçado “cachão” na Ritinha? Foi nada, não… Rezei um terço pedindo perdão… Nada.. Dei de esmola o dinheiro que era para comprar merenda, e, nada… O que fazer?

Pois solução veio logo: furei a fila do Confessionário, o frei Respício me perdoou inteiro… Salve, salve-me!

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