Meramente política

Como “manda o figurino” 2019 será encerrado com boa parta dos vereadores exatamente brincando de legislar. O presidente da Câmara, Rodrigo Kaboja (PSD), já deixou claro que as reuniões ordinárias serão realizadas até a terça-feira, 31 de dezembro, no apagar das luzes deste ano. Seria tudo lindo, belo, se os nobres que adoram fazer outra coisa na hora da reunião estivessem focados no desenvolvimento da cidade. Mas, a “boa intenção” de estender as reuniões ordinárias até o fim do ano pode se transformar em uma bela “brincadeira de legislar”. A situação é tão crítica que o presidente da Câmara ameaçou pro duas ou três vezes nas últimas reuniões, suspender a reunião por falta de quórum. Para quem não sabe, ou ativar a memória de outros,  o Regimento Interno da Câmara determina que haja no mínimo seis vereadores em plenário para que a reunião ordinária seja aberta e realizada. Se não houver, o presidente não pode abrir ou dar continuidade, além de não ser permitido votar nenhum projeto. O que é uma afronta ao eleitor divinopolitano e um desrespeito com a população. Outro ponto curioso são os projetos que estão sendo pautados nestas reuniões. Enquanto o relatório da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigou os áudios divulgados por Marcelo Marreco, ex-aliado de Galileu Machado (MDB), está engavetado aguardando votação, os parlamentares estão votando projeto de lei de nome de rua. Enquanto a revisão da Planta de Valores do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) também está perdida em alguma gaveta do Poder Legislativo, os vereadores não se esforçam sequer para ficar no plenário e acompanhar a reunião. O pior é que informações de bastidores dão conta de que tudo não passa de um jogo político para 2020. Que o prefeito está muito enganado se pensa que os parlamentares vão priorizar as contas públicas e aprovar a revisão da planta de valores do IPTU. Circula pelos corredores da própria Casa que o projeto está engavetado propositalmente.

Dizem por aí que a estratégia é meramente política. Afinal, quem seria o vereador corajoso o suficiente para “aumentar” o IPTU, em pleno ano eleitoral? Quem bateria no peito para tentar explicar a população que revisar a planta do IPTU é necessário para manter a máquina pública funcionando? Na “fritada dos ovos”, é como diz o ditado: de boas intenções o inferno está lotado. Aliás, o ditado poderia ser mudado para “de boas intenções, a Câmara está lotada”. E de boas intenções que não beneficiam Divinópolis, que não tiram a cidade do buraco. Mas que beneficiam apenas os vereadores, que estão lá brincando de legislar e trabalhando arduamente para se manter no poder em 2020. Mas tem aquele outro ditado que diz “quem avisa amigo é”. E esta pedra já está cantada. As reuniões ordinárias servirão para absolutamente nada! Em 2020, a revisão da planta será uma das primeiras pautadas, para encurralar os vereadores, e mais uma vez será rejeitada. Quem viver verá. Até lá, os parlamentares brincam de legislar.

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