Máscara

Israel Leocádio 

Olá! Como vai? A história retrata a vida de diversos personagens que se tornam famosos e figuras emblemáticas, embora nem todos esses “famosos da história” cheguem ao rol da fama por serem grandes exemplos para humanidade. Na realidade, é mais comum conhecermos os que deixaram marcas de dor por onde passaram. Dores tão profundas que se tornaram inesquecíveis. Memórias que não podem ser apagadas. Claro que também temos bons e importantes exemplos que merecem aplausos. Pessoas dignas, não só em si mesmas, por seu caráter, mas por imprimir dignidade em suas ações. Tais pessoas entram nos sonhos das pessoas, e em seu imaginário – gostariam de “ser” o personagem. Tais personagens são lembrados nas festividades de Carnaval. É uma brincadeira! Brincar de ser “outra pessoa”...

Fazer festas usando máscaras é um hábito oriundo da Itália, na Idade Média (Veneza e Florença). Entretanto, relatos históricos apontam para o momento anterior, em que colocar máscaras foi associada a festas. Certo rei, na Grécia Antiga, não bem visto por seus súditos, realizou uma festa em sua homenagem. Como não desejava ver “a realidade das expressões” de seus súditos carregados de ódio, obrigou a todos que colocassem máscaras com expressões de “alegria e satisfação”. Foi o que fizeram. Outro relato histórico sobre as máscaras vem de um período próximo ao primeiro século depois de Cristo, na Itália, mais precisamente em Roma. Um dos mais cruéis imperadores, Nero, gostava de teatro e costumava usar fantasias para aparecer nos espetáculos (não se pode afirmar que usava máscaras de um personagem ou se tentava esconder-se do povo, que o odiava).

Tudo que disse virou história. Todos os personagens, maus e bons, transformaram-se em figuras ilustrativas da história. Mas são lembrados, ainda hoje, nas fantasias em festas de Carnaval (ou fantasia de festa?). Juntando-se a um imenso número de outros personagens famosos da ficção, do cinema e das artes. Há um caleidoscópio de figuras do passado e presente movimentando-se pelas ruas. Milhares e milhares de pessoas vestindo suas “fantasias”, às vezes, usando da oportunidade para “exporem suas fantasias sem que sejam apontados”. Muitos afirmam: “é só uma festa!”. Mas, até que ponto são apenas fantasias inocentes e brincadeiras?

Acredito nas palavras da Bíblia que diz: “Não vos conformeis com este século. Mas, transformai-vos pela renovação do vosso entendimento” (Romanos 12.2). As palavras de Paulo me sugerem o dever de “pensar para transformar”. Então, acredito que seja legítimo pensar. E penso! Questiono! É uma boa forma de encontrar entendimento.

Logo, questiono: “Por que as pessoas ainda querem se esconder atrás de uma fantasia?”. Não me refiro às crianças, que têm imaginação lúdica. Seriam as fantasias  um esconderijo para a alma? Um momento de fantasia pode esconder uma vida de verdade?

Pergunto-me e penso que seja importante que perguntemos: quem está por detrás “daquela” máscara? Aquele, que colocou a “cara de um super-herói”, quem é? Um herói brincando? Um ser humano normal que acredita ter-se transformado em super-herói e, por isso, após beber muito, pega seu “supercarro” e avança sinais e atropela pessoas? Quem está por detrás “daquela” máscara de um pacifista? Por que carrega uma arma? Quem está por detrás daquela roupa de um monstro? Há alguma possibilidade de que não seja uma máscara, mas uma expressão de si mesmo? Aquele que está vestido como monstro retira seu revólver e atira em meio à multidão simplesmente porque é um monstro! Quem está por detrás “daquela” máscara? Será mais um homem odiado por sua maldade sem precedentes (como Nero), que faz seu teatro, mas que na alma ainda é Nero? Alguém está atento aos noticiários da TV e jornais divulgam sobre o que fizeram alguns indivíduos que estavam “por detrás daquelas máscaras”?

Carnaval é festa ou é uma “fantasia de alegria passageira”? Por que em uma festa o governo distribui tantos preservativos, dá tantas recomendações, coloca tanta polícia nas ruas, exige tanto cuidado? Não foram todos festejar? Não é uma festa? Vale lembrar que o que está sendo festejado é “a carne”, definida como desejos humanos. A pergunta é: “Qual é o desejo do estranho que dança ao seu lado e que se esconde por detrás daquela máscara?”.

Ainda me pergunto: por que estamos festejando em meio a tanta dor alheia? Qual a razão da festa? Já nos esquecemos das vítimas do rompimento das barragens? Das recentes enchentes e dos deslizamentos? Das vítimas do novo vírus, que ameaça o mundo? Da fome? Dos refugiados latino-americanos? Do desemprego? Da violência? O que estamos festejando?

Ah, sim! Estamos festejando a fantasia! Estamos fingindo que tudo vai bem. Estamos fazendo isso e só temos alguns dias, porque a realidade estará no fim do Carnaval. Então, vamos nos esbaldar... Sem limites... Que importa se alguns jovens morrerão nisso? Ou que algumas famílias ficarão de luto? Vamos colocar “máscaras"! Vamos colocar máscaras de alegria nas vítimas da violência! Ou nos familiares de luto!

Eu me recuso a colocar máscaras! Eu me recuso a fingir ser feliz! Eu me recuso a fechar os olhos para a realidade, ainda que por alguns dias! Eu me recuso a colocar máscaras nas vítimas inocentes dos últimos acontecimentos do mundo, do meu país, do meu estado e cidade. Posso ser reputado como religioso ou radical. Mas posso ser visto apenas como um homem sem máscaras. Mesmo assim, eu me recuso a fingir que Deus está feliz com isso tudo. Há uma razão para minha recusa: “Não posso esconder-me e nem esconder a verdade de Deus”. Nenhuma máscara pode esconder a verdade dos olhos de Deus. É o que diz as Escrituras: “Para onde me esconderei de Tua face?” (Salmo 139.7). Pense nisso!

Israel Leocádio

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