Marco Aurélio Braga

O jornalista e colunista Marco Aurélio Braga perdeu sua mãe Maria do Carmo Braga, valorosa amiga e também cliente de nosso escritório de advocacia. Uma pessoa ímpar e certamente fará muita falta a todos aqueles que tiveram o prazer de sua convivência.  Marco Aurélio escreveu belas homenagens póstumas à sua mãe e ressalto que em vida foi um filho dedicado. Enfim, a toda a sua família. Ele leva a sério o cuidar primeiro dos meus e depois cuidar do mundo.

Dor

Em uma das homenagens, Marco Aurélio, ao tentar expressar toda a sua imensurável dor, disse “compartilhar a dor é muito mais do que dividi-la. Compartilhar a dor é deixá-la exposta. E só o que está exposto pode ser curado.” Então, eu pensei: por que não expressar a minha dor? Por que não abrir a minha alma? O que me dilacera a alma hoje, também atinge a muitas famílias: depressão, uma doença tão grave quanto o câncer, HIV, mortes por acidente de trânsito, fome, guerra. Essa doença mata!

Cidade adoecida

Hoje tratarei de um assunto extremamente delicado: depressão infanto-juvenil. Há cerca de uns dois meses postei um vídeo chamando a atenção de nossas autoridades sobre a alta incidência de ideação de autoextermínio, tentativas de suicídio e consumado em nossa cidade.  Atentei para o fato de que nossas crianças e nossos jovens têm se mostrado cada vez mais frustrados e entendendo que o autoextermínio é a solução. Aliás, em nossa querida Princesinha do Oeste não é só a população infanto-juvenil, mas toda a cidade está cada vez mais adoecida. Bares e restaurantes estão fechando as portas e em seu lugar têm sido abertas farmácias. Quando se começa a reforma de um estabelecimento comercial, a pergunta é: “farmacinha (microempreendimento) ou formação (grandes redes)”? (sic) e nunca se venderam tantos ansiolíticos, antidepressivos e afins. A situação é alarmante e inspira cuidados!

Vídeo

Após a postagem, recebi um vídeo sobre o processo de ideação e efetivação do autoextermínio de uma adolescente. São cenas fortes e no final há uma mensagem encorajadora para os pais e sociedade. Eis o link: encurtador.com.br/DLTU0.

Depressão

Minha filha tem depressão e tenho contatado pais de outros jovens na mesma situação, pois embora tenham acompanhamento médico especializado, nem sempre nós pais sabemos lidar devidamente, pois não é fácil. Assim como ocorre quando os colocamos no mundo e a todo instante checamos se está tudo bem, agimos da mesma forma com filho com quadro depressivo. Temos que estar sempre alertas! E nem todos têm acesso ao tratamento necessário ou sabem como procurar o tratamento e isso é grave.

Desespero

E assim, há dez dias, ouvi um choro agonizante vindo do quarto da minha filha e ao chegar lá eu a vi se contorcendo como eu vira no vídeo. Vi as cartelas vazias dos antidepressivos e entrei em desespero. Mas aprendi com duas grandes mulheres: Olga Nascimento, pediatra, e Dalva Penido, procuradora do Estado, que para se salvar e salvar um filho, principalmente, procure ter no mínimo uns segundos de lucidez e seja frio, consiga respirar fundo e ligar para o familiar mais próximo – por sorte estudante de medicina, mas sugiro chamar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu 192) ou Corpo de Bombeiros (193) e pedir instruções, (se não tiver um profissional de saúde por perto, como tive a sorte de ter). Pois bem, agasalhei minhas filhas, peguei documentos e fui com elas para a rua e gritamos por socorro e isso por volta das 2h. Foi desesperador, mas chegamos ao primeiro hospital localizado no Centro. Sim, qualquer hospital é obrigado a atender qualquer situação de emergência, independentemente de plano de saúde, dinheiro ou cheque caução. É direito!

Gratidão

Desde então, temos tido o apoio de várias pessoas, independentemente de credo, ideologia, condição social, formação escolar. Enfim, a energia positiva vem vindo de todas as partes. Temos recebido visitas e apoio de pessoas de várias religiões, de pessoas da esquerda, da direita, do centro. Enfim, empatia, afeto e prontidão é o que temos recebido e a todos a nossa imensurável gratidão.

Luz

E daí, levando a conversa além de troca de experiência com pais na mesma situação, conseguimos envolver mais mães e pais, assim como profissionais liberais, pedagogos, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), através de seu presidente, Manoel Brandão, OAB Mulher, Ministério Público da Infância e Juventude, através de seu coordenador, Casé Fortes, jornal Agora, rádio Sucesso, Divinews e ainda a jornalista Sônia Terra, a colunista Zélia Brandão, a assessora de imprensa da Prefeitura de Santo Antônio do Monte, Pollyanna Martins, o Colégio Roberto Carneiro, políticos de diversos partidos e diferentes ideologias. Neste momento, não conseguiria elencar todos que se dispuseram a participar da criação de uma associação de apoio às famílias que lidam com a depressão infanto-juvenil. Nossa ideia é que sociedade civil organizada trate o assunto com a seriedade que ele exige. A luta é de todos nós!

Setembro Amarelo

Em setembro teremos a campanha de prevenção ao suicídio. Breve nosso primeiro encontro. Juntos somos realmente fortes e podemos fazer a diferença!

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