Mamão com açúcar

Editorial

Semana após semana, dia após dia, a população de Divinópolis é iludida nas redes sociais dos políticos da cidade. Adeptos da sociedade do espetáculo, os ditos “representantes do povo” seguem com seus vídeos e posts, que, em poucas palavras, podem ser definidos como vazios. Seguindo a “tradição” criada em Divinópolis desde 2016, com o boom das redes sociais, neste fim de semana o prefeito Gleidson Azevedo (PSC) publicou uma foto no story de sua conta no Instagram com o presidente da Câmara, Eduardo Print Júnior (PSDB), no qual ambos seguravam – um em cada ponta – uma manilha. A legenda do registro era algo no sentido de que o Executivo e o Legislativo municipal estavam “alinhados”. A publicação minimamente beira ao absurdo e só mostra o total despreparo de ambos para o poder. 

A publicação assusta pela postura do presidente da Câmara, visto que Print Júnior está em seu terceiro mandato e sabe circular muito bem na política divinopolitana. Secretário de Esportes na gestão de Vladimir Azevedo (PSDB) e líder do governo de Galileu Machado (MDB), o vereador nunca pareceu ser adepto da sociedade do espetáculo, pelo contrário. Ponderado em seu comportamento e suas palavras, Eduardo já conseguiu manobras inimagináveis no Poder Legislativo. Uma delas foi livrar Galileu dos inúmeros pedidos de impeachment protocolados na legislatura passada. 

Eleito presidente da Câmara no início deste ano, o parlamentar tem surpreendido com sua postura “mamão com açúcar”, afinal, Divinópolis precisa muito mais do que um político segurar em uma ponta de uma manilha e postar em suas redes sociais com uma frase motivacional. A cidade precisa de políticos que cumpram a Constituição Federal, em seu artigo segundo, o qual determina que “São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário”. Em outras palavras, é verdade que os Poderes devem andar de forma harmônica, haja vista que a cidade depende de ambos, pois, quando há apenas oposição, não existe desenvolvimento. Mas fato é também que o Poder Legislativo foi criado para fiscalizar o Executivo, em todos os âmbitos, e não apenas fiscalizar buraco de rua e mato alto. 

A sensação é de que a atual legislatura nada mais é do que uma extensão da Prefeitura, porém na rua São Paulo. Não há fiscalização, não há questionamentos. Onde estavam os vereadores quando o prefeito atacou os agentes de trânsito? Onde estavam os vereadores quando a Prefeitura descumpriu as regras de prevenção da covid-19 e superlotou o Procon, o que resultou um surto da doença no local? Onde estavam os vereadores quando a mesma situação aconteceu no CAC? Onde estão os vereadores quando o prefeito e a vice-prefeita, Janete Aparecida, negam o reajuste salarial dos servidores municipais? 

É inaceitável esta situação. É inaceitável essa política “mamão com açúcar” que se limita a gravar vídeos, fiscalizar buraco e mato alto. Divinópolis, sem sombra de dúvidas, precisa de mais do que dois “representantes do povo” segurarem uma manilha.

 

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