Mais um tropeço: Cruzeiro empata com Figueirense em casa e continua na beira do Z-4 da Série B

Raposa joga mal, sai atrás no marcador e não tem forças para virar o jogo; Trabalho de Scolari deve ser colocado em cheque?

Bruno Davi Bueno

Cruzeiro e Figueirense ficaram em igualdade no Mineirão. Em jogo disputado nesta sexta, 20, as equipes fizeram uma partida bem equilibrada e empataram em 1x1. Léo Artur fez para a equipe catarinense, enquanto Airton fez para a Raposa.

Airton, mais uma vez, desafoga o Cruzeiro

Querendo manter a invencibilidade com Felipão, a Raposa começou o jogo partindo pra cima do Figueirense. Logo aos 2 minutos, após boa troca de passes passando por Patrick Brey, Régis e Sóbis, a bola sobrou para Cáceres, que finalizou rasteiro e viu Sidão fazer boa defesa. Com mais posse de bola, a equipe celeste dominava as ações nos primeiros minutos, especialmente pelo lado direito, onde saía as melhores chances do time.

Contudo, apesar da clara superioridade do Cruzeiro em campo, quem abriu o placar foi o Figueirense. Aos 11 minutos, a equipe catarinense saiu rápido do campo de defesa puxando o contra-ataque; após passe em profundidade, Léo Artur ganhou na corrida de Ramon e tocou por cima de Fábio, para abrir o marcador no Mineirão. Figueira 1x0 e a equipe de Scolari começando atrás do placar pelo segundo jogo seguido.

O Cruzeiro, diferentemente de outras partidas, sentiu o gol tomado. Com dificuldade para sair jogando, principalmente pela pouca participação de seus volantes, a Raposa ficava presa nas linhas de meio-campo do Figueirense, que, por sua vez, continuava criar as melhores chances, aproveitando de uma fraqueza defensiva do lado esquerdo do adversário.

Se o jogo coletivo da Raposa não vivia grande noite, a solução foi recorrer a grande estrela da equipe desde a chegada do técnico Scolari. Aos 35 minutos, Airton, artilheiro da equipe no Brasileiro, recebeu na ponta-esquerda, puxou pro meio e finalizou de longe, com estilo, buscando o gol. A bola beijou a trave e morreu no fundo das redes. Um golaço do talismã celeste que se tornou desafogo para uma equipe que estava longe de empatar o confronto. Empate a um e foi só na primeira etapa.

Airton comemora gol celeste. (Foto: Mineirão/Divulgação)

Balde de água fria

Felipão começou a segunda etapa mexendo na equipe. Entraram Matheus Pereira e Jadsom, no lugar, respectivamente, de Patrick Brey e Ramon. O objetivo do treinador era melhorar a transição ofensiva e corrigir o buraco deixado pela defesa do lado esquerdo. Não era possível ser expert em futebol para entender as modificações, elas eram necessárias e se tivessem sido realizadas ainda no primeiro tempo, ninguém chamaria o técnico de louco.

A Raposa voltou melhor do que tinha terminado os primeiros 45 minutos e criava boas chances para virar. Aos 7, após boa tabela, Régis finalizou de longe e obrigou o goleiro do Figueira a espalmar, no rebote, Moreno também parou em Sidão. Poucos minutos depois, Matheus Pereira fez boa jogada na linha de fundo e cruzou na cabeça de Arthur Caíke que jogou por cima do gol. A equipe de SC também tinha chances de marcar, a melhor delas com Léo, autor do primeiro gol, que finalizou para boa defesa de Fábio.

Na metade final do segundo tempo, o jogo começou a esfriar consideravelmente. O Cruzeiro, pressionado a vencer, partia pra cima do Figueirense, mas não conseguia converter sua enorme posse de bola em chances de perigo. Já a equipe de Florianópolis se limitava a segurar o empate, apesar de ter boa chance com seu melhor jogador, Léo Ortiz, finalizar pra fora.

A torcida celeste teve seu último suspiro de esperança de uma vitória em BH aos 48 minutos. Arthur Caíke recebeu livre na cara do gol, driblou Sidão e foi derrubado pelo goleiro. Pênalti assinalado e a chance da vitória. Bom, seria se o atacante do Cruzeiro não estivesse impedido. Com esse balde de água fria, o resultado não poderia ser outro: Empate no Mineirão e uma Raposa decepcionada com o resultado.

Fake News: Invencibilidade de Felipão

São 6 jogos desde a chegada de Scolari ao comando da equipe. Sim, é fato que o Cruzeiro ainda não perdeu desde a chegada do técnico contando com 3 vitórias e 3 empates. Porém, alguns pontos devem ser analisados.

Destes 3 empates, dois foram nas últimas duas partidas, em casa, diante de Guarani e Figueirense. Esses confrontos tinham a oportunidade, em caso de vitória celeste, de alavancar a equipe na competição. Com os tropeços em casa, a equipe ainda se mantém perto do Z-4.

Além disso, o fato de a equipe ter tido 11 dias para treinar – desde o empate contra o Guarani – e não apresentar nenhum tipo de evolução tática, melhora em erros contínuos e meras jogadas ensaiadas, é algo para se pensar para os próximos confrontos.

Não coloco aqui em risco o trabalho do treinador. Felipão é quem o Cruzeiro precisa. Contudo, não se deve achar que o técnico faz um estupendo trabalho no comando azul, o buraco é bem mais em baixo. A invencibilidade de Felipão não é fake nos números, mas sim nas atuações.

Rival parecido, desafio maior

O Cruzeiro tentará reencontrar o caminho da vitória na próxima rodada. Para isso, irá enfrentar um rival parecido com quem jogou hoje em BH. Se trata da Chapecoense, que faz o clássico de Santa Catarina com o Figueira.

Todavia, o desafio para os comandados de Felipão será bem maior desta vez, já que a equipe de Chapecó é a sensação do campeonato, estando na liderança isolada com 47 pontos e jogando um futebol que encanta o país. A partida será na próxima terça, 24, às 21h30. A Arena Condá será o local do confronto.

 

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