Mais que palavras ‘Manjedoura’

Israel Leocádio

Olá! Estamos perto de uma data comemorada em todo o mundo cristão – o Natal. Não deveríamos encontrar menos importância para a referida comemoração (mesmo havendo divergências quanto à data do nascimento de Jesus). Afinal, é a lembrança do nascimento d’Aquele que veio ao mundo trazer, com suas palavras, sabedoria do céu; com sua vida, modelo de vida agradável ao Senhor Deus; e, com sua morte, o preço do resgate dos pecadores.

O relato bíblico afirma que Jesus nasceu em Belém, embora sua família residisse em Narazé, uma vila ao norte de Israel, cerca de 100 quilômetros de distância (um percurso longo para uma mulher grávida). Duas foram as razões para que Jesus nascesse em Belém. A primeira, um senso exigindo que os moradores se apresentassem em sua terra natal (cidade onde cada um nasceu), por ordem do imperador César Augusto. E José era de Belém. A segunda, uma profecia (previsão do Senhor) de que o Messias (que é o Salvador) deveria nascer na mesma terra do heroico rei Davi. Dizem as Escrituras: “Mas tu, Belém-Efrata, embora pequena entre os clãs de Judá, de ti virá para mim aquele que será o governante sobre Israel. Suas origens estão no passado distante, em tempos antigos” (Miqueias 5.2).

Entretanto, há ricos detalhes sobre o grande dia do nascimento de Jesus. Primeiro, ele vem de Nazaré. A palavra Nazaré carrega a raiz da palavra hebraica (netser – “ramo”, “flor”). A ideia aqui é de renovo. Como um ramo que nasce de uma árvore aparentemente morta. O Messias é o ramo de esperança, de renascimento. No Evangelho de Mateus 2.23, está escrito: “Ele será chamado nazareno”. Ou seja, Jesus viria de Nazaré, seria o renovo da esperança de salvação. A profecia de Isaías 11.1 afirma a esperança: “uma flor nascerá de sua raiz”.

Outro detalhe pouco observado é que Jesus nasce em uma localidade de nome bem sugestivo – Belém (em hebraico – Beith Lehem). Jesus nasce em um lugar em que seu nome carrega duas traduções, segundo a língua dos habitantes da região. Para a língua árabe (Bayt Laḥm), Belém carrega o significado de “casa de carne”. Isso é interessante, porque Jesus disse: “Pois a minha carne é verdadeira comida, e o meu sangue é verdadeira bebida” (João 6.55). Na Ceia do Senhor, nos lembramos do corpo de Jesus ferido na cruz. E seu sangue derramado para remissão dos pecados.

Porém, em hebraico (Beith Lehem), o sentido é outro: significa “casa de pão”. Isso é incrível! Visto que Jesus utilizou-se do pão para lembrar sua carne. E a Bíblia afirma ser Jesus o verdadeiro pão que desceu do céu (João 6.51). Belém é o lugar do nascimento daquele que seria o alimento e resgate da humanidade.

Mas essa análise ficaria incompleta se não levássemos em conta o local do nascimento de Jesus, escolhido por falta de alternativa de José. O relato bíblico afirma que, em razão da grande procura das pessoas por ocasião do senso romano, a cidade de Belém estava cheia. As pensões (chamadas na época de caravançarai) encontravam-se repletas. Então, José encontrou um lugar pouco apropriado (ou diríamos: o exato lugar?). Algumas versões bíblicas dizem que José levou Jesus para uma “estrebaria”; outra versão diz: “estábulo”; a melhor tradução usa o termo “aprisco”. Ali, naquele lugar, o menino Jesus nasceu. O lugar perfeito para o bom pastor nascer: entre ovelhas! Porém, um detalhe ainda mais enriquecedor: não havendo um berço ou lugar melhor para deitar a criança, segundo o Evangelho de Lucas 2.7, Jesus foi colocado em uma manjedoura (recipiente onde se coloca a comida para o gado doméstico, que pode ser feito de madeira ou de pedra). Ou seja, Jesus foi colocado no lugar onde se colocava alimento. Estamos falando de coincidências incríveis ou falamos de uma revelação para a humanidade. Pois vejo um conjunto de acontecimentos que completam a obra.

A esperança de renovação de fé vem de uma vila chamada “ramo”. O renascimento em uma árvore aparentemente morta. Ele nasce em uma cidade cujo significado de seu nome é “pão e carne”. E, antes de seu sacrifício na cruz, Jesus afirma ser o pão que desceu do céu; e que sua carne ferida seria o símbolo da salvação. Sendo Ele o alimento para os que têm fome, Ele é colocado (ao nascer) no lugar onde se coloca alimento. Mas, como se não bastasse, ele nasce em um ambiente de rebanho e pastores.

É disso que a manjedoura fala: “Jesus nasceu humilde entre os homens, para trazer renovo e esperança ao aflito de coração; com o objetivo de matar a fome dos famintos e ser esperança para os esquecidos”.

Tendo essa cena em nossa memória, desejo que, desde já, reflitam sobre o sentido do Natal!

 

ileocadiodasilva@yahoo.com

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