MAIS QUE PALAVRAS: AMOR

 

Israel Leocádio da Silva 

Olá! Muitos empreenderam uma busca da melhor definição da palavra AMOR. Outros tentaram definir uma receita para reproduzi-lo. Ainda outros buscaram uma nova fórmula de representá-lo. Contudo, foram poucos os que realmente o compreenderam.

Alguns, lançando mão de sua liberdade poética e artística, traduziram em versos e canções o amor e o transformaram em romances. Naquela forma romantizada, amor é prazer de um encontro. Mas isso não é amor! Amor não é um casal caminhando na praia, vestindo roupas leves, com os cabelos ao vento e que desenha um coração na areia (que a primeira onda apaga). Segundo a afirmação de quem entende de amor, “as muitas águas não podem apagar o amor” (Cantares de Salomão 8.7).

Na licença poética, o amor virou egoísmo. Em algumas poesias lindas, o amor é interesseiro, quando diz: “Vem me fazer feliz, porque te amo” (embora goste da melodia, e ela embale a vida de muitos casais apaixonados), isso não é amor – é interesse no benefício, é egoísmo. Segundo o autor inspirado por Deus, “o amor não busca os próprios interesses” (1 Coríntios 13.5).

Uma história poderá ilustrar bem o sentido do verdadeiro amor. É a história de um homem avançado em idade, que não poderia ser pai, mas sonhava em ter um filho. Porém, o Senhor quis que esse homem alcançasse seu sonho e, aos 100 anos de idade, tornou-se pai. Aquele homem amou seu filho com todas as suas forças. Além de ser o filho com o qual tanto sonhara, era filho da esposa, a quem devotava grande amor e carinho.

Que homem, que deseja ter um filho, mas não pode, não ficaria feliz ao realizar esse sonho?

Aquele garoto tornou-se para o velho pai a razão de sua vida e a esperança de sua continuidade genealógica. Ele o abraçava cada dia como se fosse o último. Beijava-o como se não tivesse outra oportunidade para fazê-lo. Mesmo cansado e com idade que impossibilitava certos movimentos, brincava com o filho. Afinal, o garoto era o seu sonho materializado. Cada dia era especial. Cada hora era preciosa. Cada minuto era único. Cada segundo era um presente de Deus. Aquele homem sabia bem definir a palavra AMOR. Se alguém pedisse sua própria vida pela vida do garoto, não duvidaria em dá-la.

Certo dia, aquele feliz e velho pai foi desafiado. Inesperadamente, seu amor é posto à prova. Não seu amor pelo filho, apenas. Mas seu amor por Deus. Como quem desejasse saber a quem amava mais, Deus impôs um teste fatal. Pediu-lhe que desse seu filho amado como sacrifício (algo comum à época, sacrificar animais como forma de culto). A prova estava apresentada: amar mais ao Senhor que deu o filho, ou amar o filho que sonhou ter?

Aquele velho homem relutou dentro de si em silêncio. A maior de todas as batalhas foi travada em sua mente. Uma decisão deveria ser tomada diante do dilema. Amando verdadeiramente aos dois, aquele homem precisou avaliar bem a quem devia maior devoção de amor. E optou por Deus.

Acordando de madrugada, ajeitou tudo que era necessário para o culto mais estranho que faria em sua vida. Chamou o filho e o conduziu a um alto monte, onde estava traçado seu destino. Amarrou o rapaz, colocou-o sobre o altar de sacrifício, e levantou sua adaga para o abate, quando, do céu, ouviu uma voz que lhe dizia: “Não faça isso ao menino. Porque agora sei que me amas”. Em lugar do jovem, foi morto um cordeiro. E o amor de um velho homem passou pela prova mais cruel. E, orgulhoso de tamanha fé e amor, o velho pai desceu com o filho vivo.

Esta é a história de Abraão e seu filho Isaque. Mas também é a história de Deus Pai e Jesus. À semelhança de Abraão, Deus deu seu Filho em sacrifício de amor. Aquele sacrificava o filho para demonstrar amor a Deus (que é perfeito, justo, santo, poderoso e completo em tudo). Deus Pai, por sua vez, sacrificou seu Filho pelo homem (injusto, imperfeito, sem amor ao próximo, amigo dos prazeres mais que amigo de Deus, cruel, violento, sanguinário, cheio de guerras e ódio, incontinente, ingrato, desobediente a pai e mãe, dado ao pecado e ao erro). Abraão não concluiu seu desafio, pois Deus o impediu de matar seu filho. Mas Deus, por sua vez, viu seu Filho ser arrastado pelas ruas de Jerusalém. Viu toda sorte de maldade recaindo sobre o Filho, pelas mãos do homem. Cuspiram em seu Filho, bateram, humilharam, ofenderam, torturaram e o mataram da forma mais cruel, pregado numa cruz.

A melhor definição de amor é esta: ‘o verdadeiro amos tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta’ (1 Coríntios 1.7). E Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito (João 3.16). O gesto de Deus entregando seu filho na cruz por nós é mais que poesia, melodia romântica. É mais que palavras vazias de sentido. É amor de fato.

Timothy Keller faz uma análise interessante entre os dois momentos. Assim ele disse: “Deus viu o sacrifício de Abraão e disse: Agora sei que me amas, pois não me negaste teu único filho. Mas até que ponto conseguimos olhar para o sacrifício de Jesus na cruz e dizer a Deus: Agora, nós sabemos que nos amas, pois não negaste teu Filho, teu único Filho, a quem amas”.

Quem não sacrifica a própria vida em favor daquele a quem diz que ama não conhece o verdadeiro amor. Quem não reconhece Aquele que deu sua vida em favor de suas criaturas, as quais amou, não merece ser amado.

Mas, na verdade, Deus deu seu Filho a fim de salvar os pecadores simplesmente porque os amou.

 

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