Mais que palavras - ‘Presente’

Olá! Há um lugar dentro de nós que ama ganhar presentes. Parece que isso dá uma espécie de sentido de gratidão. Em alguns casos, recompensa. Em outros casos, reconhecimento. Não sei! Mas um presente parece ser um incentivo e trazer consigo um prazer inerente.

Há presentes que provocam o lado negativo, quando funciona como troca. Não me parece saudável presentear para motivar alguém a fazer o que é seu dever. Tampouco presentear para motivar alguém a ser justo, cumpridor de suas tarefas, esforçar-se para uma conquista, que por si só deveria gerar esforço pessoal, para alguém ser um bom filho ou coisa semelhante. Isso me parece suborno emocional e educar alguém ao hábito mercenário.

Contudo, presente por amor é bom! Sempre que pensamos em presentes, certo carinho brota em nós (quando não é interesseiro nem obrigatório), o carinho em escolher algo que lembre o presenteado. Escolher algo que seja útil e importante. Escolher o melhor aos que mais amamos. Então, quando presenteados, esse sentimento bom da escolha carinhosa é refletido no presente e nos sentimos tocados por esse presente (ainda que simples).

Muitas podem ser as verdades sobre o ato de presentear (por escolha e afeto). Porém, duas coisas parecem estar presentes na maioria dos casos: presenteamos a quem importa para nós, damos o melhor para quem importa mais. Isso me parece ser de senso comum!

Posso estar enganado quanto à minha análise, no que diz respeito ao hábito dos homens. Mas não estou no que diz respeito ao hábito de Deus. Deus dá presentes a quem ama e com quem se importa, e dá maior presente a quem importa mais. Vejo isso na Criação! Deus dá a todas as criaturas presentes diários, pois se importa com elas. Como disse Jesus Cristo: “Ele alimenta as aves, que nem plantam nem ceifam. Ele veste as flores do campo, que não tecem, nem fiam” (Mateus 6.25-34). Deus faz isso a toda sua criação. Porque se importa com ela! Igualmente, por importar-se com a criação, o sol nasce todos os dias, as estações se repetem rotineiramente a cada ano, as chuvas caem em suas estações, os frutos nascem em seu próprio tempo, alimentando os animais no campo e os homens, o ar é distribuído gratuitamente a todos. Porque Deus se importa com sua Criação!

Porém, há alguém na Criação, com quem o Senhor se importa mais – o homem. A este o Senhor deu mais que a subsistência: deu-lhe sua própria imagem e semelhança. Não sendo o homem capaz de honrar tal presente glorioso, caiu em desonra e pecado, exigindo um ato de expressão maior da parte de Deus. O sol nascendo todos os dias, o oxigênio gratuito, as estações sucessivas do ano, os frutos do campo, o alimento diário e a força para a vida não foram, para o homem, o suficiente. Nesse momento, se tornou necessário fazer uma demonstração maior do amor do Senhor. E ela veio! O maior de todos os presentes fora dado por Deus ao homem. Aquilo que mais valeria nos céus tornou-se Presente para resgatar o homem do seu destino cruel e fatídico. Deus deu o seu maior tesouro – seu Filho. Sem reservas, sem receio, sem medo. Porque amou ao homem sem limites. Tentando achar uma palavra para a intensidade desse amor, João disse: “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu seu Filho unigênito...” (João 3.16). “De tal maneira”, esta foi a expressão que o apóstolo encontrou para se referir à intensidade do amor de Deus.

O Pai deu o melhor Presente: seu Filho! Penso: como decidiu por esta escolha? Como se sentiu enquanto escolhia o Presente? Que valor dava ao presenteado? Quanto sentimento de amor estava no Pai ao escolher tamanho Presente? Penso que nunca alcançarei tal compreensão! Fato é que o Presente foi escolhido e, sem reservas, nos foi dado. Ele chegou ao seguinte endereço: Vila de Belém da Judeia, numa estrebaria iluminada por uma estrela do céu.

Assim o profeta descreve o Presente: “Porque um menino nos nasceu, um Filho se nos deu, e o principado está sobre os seus ombros, e se chamará o seu nome: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz. Do aumento deste principado e da paz não haverá fim, sobre o trono de Davi e no seu reino, para o firmar e o fortificar com juízo e com justiça, desde agora e para sempre; o zelo do Senhor dos Exércitos fará isto” (Isaías 9.6,7). Melhor presente o homem não poderia receber. Aceitar com amor o Presente dado é o que o Pai espera. Repetir o ato e presentear com gestos de amor incondicional é o que o Natal sugere. Se você entendeu isso, o Natal fará sentido para você e em você!

Feliz Natal!

 

Israel Leocádio

 

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