Mais que palavras - ‘Nome’

 

Olá! Uma das coisas mais comuns no cotidiano de uma pessoa em período escolar foi, para mim, algo constrangedor por muito tempo: responder a chamada, no início das aulas. Muitas vezes desejei que esse momento não ocorresse, que o professor se esquecesse ou estivesse atrasado com o conteúdo a ser ministrado em sala e partisse logo para a aula. O motivo era muito fácil de compreender. Meu primeiro nome é o nome de uma nação do Oriente Médio – Israel. Isso, para um adolescente, é um motivo mais que suficiente para um bullying. E era exatamente o que faziam a cada chamada dos professores.

Eu não entendia bem por que meus pais resolveram colocar em mim o nome de um país! Mas, qual criança compreenderia? E, ainda que perguntasse (e perguntei várias vezes) a razão da escolha, não era suficiente para mim. Mesmo com a boa explicação de meu pai.

Com o tempo, fui aceitando a fonética como uma referência à minha pessoa. Mas, preferia que me chamassem por meu apelido (Léo). Sentia-me mais Léo que Israel.

A primeira vez em que meu nome se tornou algo especial para mim foi aos 42 anos de idade. Naquele ano, fui à nação de Israel pela primeira vez. Ao chegar no Aeroporto Internacional Ben Gurion, em Tel-Aviv, passando pela revista de check-in, apresentei meu passaporte ao fiscal israelense, que, abrindo um sorriso me disse: ‘Ah! Israel!’. Ali me senti diferente. Percebi, pela primeira vez, que meu nome era importante para mais alguém, além de meus pais.

A cultura judaica me ajudou muito na compreensão da questão do nome. Os judeus têm uma preocupação singular com o nome de seus filhos. Nos dias bíblicos, o nome da criança era dado ao oitavo dia do nascimento (tradição que ainda é seguida por alguns grupos de judeus). Para o judaísmo, o nome carrega mais que uma fonética interessante. Ele leva a bênção familiar, o desejo dos pais para o futuro do filho, a herança familiar, a ligação com a promessa de Deus a Abraão, a ligação com a própria terra de Israel e, principalmente, a ligação com Adonai (o Senhor). Dar um nome a um filho é mais que escolher uma palavra, como uma marca de roupa, ou um bom nome para etiqueta de roupa. É mais que pensar em alguém que admirou no passado ou alguém que ajudou no presente. É dar uma identidade que gere destino e ligue às origens. É abençoar ou amaldiçoar. Por isso, a importância da escolha e também a razão de muitos nomes judaicos carregarem uma partícula inclusa no nome que se refere a Deus (El – em Hebreu). Como Daniel, Samuel, Ezequiel etc. Assim também com nomes femininos, como Eloah, por exemplo.

Um nome é mais que uma palavra. Porém, a despeito de toda essa informação, a maturidade me fez compreender melhor a importância do nome e o fato de que um ele carrega mais que palavras. Foi na maturidade que compreendi que meu primeiro nome pode ter sido importante para uma nação (a ponto de um povo buscar identificação com este nome), e que Israel tem um significado especial (significa: o homem que lutou com Deus e prevaleceu, ou príncipe de Deus), mas, sendo importante para uma nação ou tendo um significado especial, não era o mais importante.

Na maturidade, compreendi que meu nome foi, antes de tudo, importante para meus pais, e seu significado, já conhecido por eles, era a identidade que sonharam para mim. No coração de meus pais, eu fui príncipe.

Aprendi que meu nome judeu importante é de fato mais importante, porque carrega o sobrenome. Isso mesmo! Sou Israel, e com orgulho sou Leocádio. Meu nome carrega a história de um povo longínquo. Meu sobrenome carrega a honra de pessoas bem perto de mim. Israel foi famoso para uma nação, Leocádio da Silva foi importante para três garotos nascidos na casa de um casal honrado e especial. Casal que ensinou os valores que nos fizeram homens de bem. Casal que nos deixa o legado de valores que norteiam nossas vidas e que repassamos aos nossos filhos. Casal que ensinou tudo que podemos compreender sobre lealdade, fidelidade, amor, carinho, atenção, altruísmo, ética, moral, princípios, amor ao próximo, temor a Deus, honestidade, honra, desprendimento. Enfim, o verdadeiro valor da vida.

Um nome é mais que palavra. Um bom nome é o que faz as pessoas te respeitarem. E um bom nome não está na sonoridade das sílabas que o compõem. Um bom nome está nos princípios e valores aprendidos por aquele que te nomeou. Sou Israel Leocádio da Silva. Filho de Waltensir Leocádio da Silva e Hicleides de Oliveira da Silva. Este é meu nome! Deles vem minha honra!

Mas não posso encerrar meu pensamento sem lembrar-me de Jesus de Nazaré. Chamado Jesus porque veio salvar. Chamado Cristo porque carregou a eleição de Deus. Porém, Jesus é Cristo porque seus valores e princípios foram passados por ninguém menos que o próprio Deus. O Filho perfeito, do perfeito Pai. Louvado seja o nome do Senhor! 

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