Mais do que necessário

Editorial - Mais do que necessário 

De uns anos para cá, o Brasil atravessa tempos nebulosos. Pessoas vão às ruas com frequência pedir voto impresso auditável, a volta da ditadura, se recusam a tomar vacina, tornando tudo um imenso e interminável “delírio coletivo”, que causa muito, mas muito medo mesmo! A sensação que se tem é que os brasileiros estão perdidos em seus devaneios e que isso arrasta, aos poucos, o nosso país para um tremendo caos. Uma das piores impressões que se tem de tudo isso é que está longe, mas muito longe de acabar. E, para piorar ainda mais, o movimento vem junto com a negação à ciência, ao Sistema Único de Saúde (SUS) e a importância de acreditar em fatos, e não em opiniões. A sensação que se tem é que parte da população perdeu o juízo e a noção, e com isso coloca em risco os demais que lutam todos os dias pela democracia, pela vacinação e que defendem a ciência e o SUS. 

Nunca foi tão necessário quanto agora que a população recobre o seu juízo e pare definitivamente com esse “delírio coletivo” para se juntar e cobrar, além de medidas efetivas contra a covid-19, a aceleração da vacinação. Neste momento, o país colhe os frutos da imunização do povo e prova que contra fatos não há argumentos, que uma corrente de WhatsApp não resiste à ciência, ao SUS. Chegamos ao momento conhecido como “entre a cruz e a espada”: ou os governos aceleram a vacinação, ou uma terceira onda da doença virá com força total. É fato que a imunização do povo diminuiu consideravelmente o número de casos positivos da doença, de mortes e também de internações hospitalares. Mas chegamos ao ponto em que a população está confiante demais e o efeito do relaxamento começa a ser sentido. Apesar de os indicadores epidemiológicos da covid-19 serem positivos em relação a meses anteriores, a macrorregião Oeste está ameaçada a voltar para a onda amarela dentro do programa Minas Consciente. 

Isso é apenas o reflexo do comportamento do povo que acredita que tudo está resolvido, atrelado àqueles que se negam a se vacinar. Está mais do que provado que a vacina salva, que a ciência salva, que o SUS salva, que a verdade salva. Está mais do que provado que pessoas perderam a vida por causa desse negacionismo, desse delírio coletivo, que insiste em levar pessoas para o buraco. Está mais do que provado que a aceleração da vacinação junto com a conscientização da população é primordial neste momento, para que não haja retrocessos, para que não tenhamos mais restrições e para que mais pessoas não sejam prejudicadas. 

Seguimos neste “cabo de guerra”, mas com a esperança de que esta parte da população que pede a volta da ditadura, do voto impresso auditável e que se recusa a reconhecer os benefícios da vacinação recobre o juízo, e enxergue o quanto tudo isso não é nada menos do que retrocessos seguidos de retrocessos. E que não há como evoluir quando se anda para trás. O momento é decisivo e, além de atitudes firmes, pede senso coletivo, inteligência e responsabilidade. Tudo isso nunca foi tão necessário quanto agora.

 

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