Mais da metade dos leitos de UTI em Divinópolis estão ocupados

Matheus Augusto

Divinópolis continua a observar o avanço do novo coronavírus (covid-19). Dados da Secretaria Municipal de Saúde (Semusa) de ontem apontam a cidade com 38 casos confirmados. Das 1.099 notificações, apenas 98 foram descartadas. Ou seja, 963 pacientes apresentam sintomas da doença, mas ainda não foram testados ou não receberam o resultado. 

As faixas etárias mais afetadas são: entre 20 a 39 anos (495 notificações), 40 a 59 (284), acima de 60 (115), 1 a 4 (81), 10 a 19 (66), 5 a 9 (32) e menores de um ano (26). Ao todo, são 584 mulheres e 515 homens.

A Prefeitura também revelou estar atenta com outros dados, que comprovam a ascensão dos números na cidade.

Outro dado que preocupa é o coeficiente em relação ao número de infectados. O Coeficiente de Incidência Nacional (média) é de 11,9 para cada 100.000 habitantes, enquanto que de Divinópolis é 15,1 para cada 100.000 habitantes. Esta é uma projeção feita em cima do atual número de habitantes do município, 238.230, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) — detalhou.

Preocupação

Em coletiva na tarde de ontem, o secretário de Saúde, Amarildo Sousa, destacou a existência de 13 pacientes com quadro sintomático para a doença internados em enfermaria e outros 11 em Unidades de Tratamento Intensivo (UTI). Ele relatou ainda que a taxa de ocupação dos leitos de UTI está em 65%. O índice poderia ser mais alto não fossem as medidas de prevenção adotadas, como o isolamento social, responsável, por exemplo, pela queda no número de acidentes de trânsitos 

Isso, sim, nos dá um sinal de alerta. Tradicionalmente, quando tínhamos as cirurgias eletivas liberadas e um grande movimento de carros e o trânsito normal, essas taxas de UTIs sempre giraram em torno de 100%. Como a gente permaneceu apenas com as cirurgias de oncologia e de cardiologia, que necessitam de UTI, essa taxa baixou e nos permitiu atender esses pacientes que hoje se encontram com a suspeita da covid-19 — destacou.

Assim, uma volta súbita à normalidade aumentaria a demanda por leitos e, consequentemente, a superlotação do sistema de saúde. Amarildo ainda pontuou sobre a importância do compromisso dos municípios da região em auxiliar nesse trabalho para que a crise seja superada. 

— Se nós relaxarmos com o isolamento social e as cidades do entorno, que têm essa referência no hospital São João de Deus, fazerem o relaxamento das medidas de controle, as UTIs vão lotar e poderá, sim, faltar leitos para os casos contaminados com coronavírus que apresentarem sintomas graves — ressaltou.

Leitos

Apesar da disponibilidade de leitos, a secretaria ainda busca garantir mais espaços para receber pacientes caso o número de infectados cresça consideravelmente. A Semusa divulgou ontem uma parceria com o Sicoob Divicred e a Clínica São Bento Menni para a oferta de 40 leitos para casos de baixa e média complexidade. A entidade bancária é responsável por uma doação de R$ 80 mil, recurso a ser utilizado para a reforma de um espaço no local. As obras devem ser concluídas ainda nesta semana.

Suspeita

Ainda durante a coletiva, o secretário também reforçou que a morte de um homem, de 69 anos, na noite de terça-feira, 14, na Unidade de Pronto Atendimento (UPA), trata-se de uma suspeita. O idoso, morador do bairro Serra Verde, tinha histórico de insuficiência respiratória, motivo pelo qual foi levado à unidade, e sequelas de um Acidente Vascular Cerebral (AVC).

— A equipe colheu as amostras e ele foi tratado como suspeita de coronavírus até que a gente confirme ou descarte pelo teste — esclareceu.

Amarildo ainda relatou sobre a possível contaminação de um dos médicos assistentes do Centro de Saúde do bairro Planalto. Ao sentir sintomas compatíveis com o coronavírus, o profissional comunicou à Secretaria.

— Nós o colocamos, seguindo o protocolo de combate à covid-19, em afastamento de trabalho e isolamento por 14 dias, bem como alguns profissionais da unidade que tiveram contato com esse médico e apresentaram os sintomas — afirmou.

Além disso, todo o ambiente foi higienizado.

Flexibilização

O comitê anunciou na segunda-feira, 13, a manutenção do fechamento do comércio. No entanto, dois dias depois, os membros comunicaram que analisam a possibilidade de autorizar o funcionamento parcial de determinadas atividades. 

Está em discussão, a reabertura de serviços como fisioterapia, manicure, pedicure, barbeiro, atividades físicas, escritórios de advocacia, engenharia, arquitetura e contabilidade, e de fabricação e manutenção de óculos. Tais empresas seriam permitidas a retomar os atendimentos presenciais desde que atendessem como horário marcado e de forma individual, garantindo o uso dos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs).

— A decisão sobre a flexibilização depende dos índices locais de propagação do coronavírus, estabelecidos pelo Ministério da Saúde. O grupo volta a se reunir ainda esta semana para tratar do assunto — informou a Prefeitura.

Segundo o Executivo, a “Semusa está analisando os quadros hospitalares, junto aos médicos infectologistas, para uma possível flexibilização do isolamento social e assim dar uma resposta a sociedade. Mas, neste momento, é necessário manter o isolamento”.

Esclarecimentos

O procurador-geral adjunto de Divinópolis, Bruno Torres, explicou na terça-feira que o decreto de calamidade pública, com validade até 31 de dezembro deste ano, não significa o fechamento do comércio por esse período. A intenção, segundo ele, é garantir o Executivo a tomar medidas com maior agilidade, através da dispensa de licitação. A Prefeitura ressaltou que ”dessa forma, os gastos não incluídos no orçamento municipal serão destinados, exclusivamente, para a saúde”.

A medida, anunciou o procurador, é legal.

— Queria deixar claro que esta calamidade já estava determinada em nosso país pelo decreto legislativo nº 06/2020, editado pelo Senado Federal. A ordem faculta ao Município ter gastos que não estavam previstos durante o enfrentamento do vírus — pontuou.

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