Mãe: projeto desafiador, trabalho desvalorizado!

Mãe: projeto desafiador, trabalho desvalorizado!

Minha mãe sempre me fala que ser mãe é o projeto mais difícil da vida de uma mulher, pois é um projeto para toda a vida, que você não pode e não vai desistir, e de amor imensurável.

Se você é uma mulher adulta, com certeza já foi cobrada por alguém sobre ter filhos, já foi perguntada se quer ser mãe, e já recebeu aquele conselho cheio de implicações “cuidado para não ficar muito velha”. Todas essas cobranças vêm da valorização da maternidade dentro da cultura do nosso país. Mas essa importância é realmente valorizada após a gravidez?

No Brasil, 1 em cada 4 mulheres já sofreu violência obstétrica, de acordo com o estudo “Mulheres brasileiras e gênero nos espaços público e privado”. E ainda assim o Brasil não possui lei federal que especifique essa violência. Um momento único para mulheres é transformado em trauma em muitos casos. 

Após o parto, as mulheres ainda passam desafios enormes no mercado de trabalho. Segundo pesquisas da Fundação Getulio Vargas (FGV), 48% das mulheres saem do mercado de trabalho depois de serem mães.

O estudo mostrou que as trabalhadoras que tiram licença-maternidade são demitidas em até 24 meses após o nascimento das crianças ‒ a maioria dessas demissões não apresenta justa causa e é por iniciativa do empregador. 

As mães realmente devem ser valorizadas no nosso país. Mas não a partir da cobrança tóxica para as mulheres, e sim com políticas públicas que protejam aquelas que decidiram construir uma família, como creches, licença parental adequada, entre outros.

É uma tremenda hipocrisia que os mesmos que exigem o respeito às famílias e aos valores sejam aqueles que não ligam para o bem-estar físico e psicológico das mulheres durante sua maternidade. Já passou da hora de a valorização da família ser também a valorização da mulher!

A pergunta que fica é: onde está o amparo às mães?




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