Mãe aponta falha em diagnóstico na UPA

Ricardo Welbert

A dona de casa Elisabete Oliveira Barroso, moradora do bairro Paraíso, está preocupada com o que afirma ser um diagnóstico errado na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Padre Roberto. Há quase três semanas a filha dela, Jéssica Bruna Barroso Ferreira, de 26 anos, começou a reclamar de fortes dores de cabeça.

Depois de passar várias vezes por um posto de saúde e ser dispensada da UPA sob alegação de que não tinha nada, descobriu-se que a paciente tem três calcificações (formações ósseas irregulares) no cérebro. Sem poder tomar remédios para dor em casa, a paciente sofre à espera de um exame pela rede pública de saúde.

A mãe de Jéssica detalhou o caso ao Agora. Segundo ela, no dia 29 de março a filha passou mal em casa. Com fortes dores de cabeça, foi levada ao posto de saúde do bairro Jusa Fonseca, que atende a quem mora no Paraíso.

— Disseram que não tinha médico disponível e que eu deveria levá-la à UPA. No sábado [dia 31] ela ainda sentia dor de cabeça. O médico da UPA deu a ela um remédio e nos mandou embora — conta.

Mas a dor não passou e gerou crises de vômito. Na segunda-feira, 2, mãe e filha foram novamente ao posto de saúde, onde mais uma vez foram orientadas a ir à UPA, onde, à tarde, a paciente foi atendida por uma médica que receitou soro caseiro para repor os sais minerais. Na terça-feira, 3, nova visita ao posto, onde receberam a mesma orientação.

Na UPA, uma médica pediu um exame de raio X na cabeça de Jéssica.

— Como demoraria mais de um mês para ser feito, paguei pelo exame no Hospital São João de Deus. Voltei ao posto e me mandaram levar o resultado à UPA. Quando chegamos lá, o médico disse que ela precisava de neurologista, porque o raio X havia mostrado uma mancha e seria preciso fazer uma tomografia — relata.

Ainda segundo a mãe, o neurologista foi chamado à UPA por volta das 14h, mas chegou às 18h. 

— Quando chegou, minha filha estava na cadeira tomando remédio para dor. Ele a atendeu no corredor e prescreveu uma medicação contra enxaqueca. Dipirona na veia. Mas nem olhou para o resultado do raio X — cita.

Durante a manhã o neurologista deu alta à paciente. Segundo a mãe, ele disse que já não havia mais nenhum problema.

— Passou a medicação e disse pra ela ir embora. Mas a dor de cabeça não passou — acrescenta.

Na quarta-feira, 4, nova ida ao posto de saúde. Atendentes disseram que relatariam o caso à Secretaria de Saúde, para que uma consulta fosse marcada o quanto antes.

— Voltamos à UPA e lá eu reclamei com a médica, porque ela não olhou o resultado do exame. Minha filha dormiu de novo lá, vomitando e chorando de gritando de dor. Eu disse que, se não fizessem nada por ela, eu chamaria a polícia — lembra.

Após essa ameaça, a paciente foi colocada na fila do SUS Fácil e aguardou pela chegada do neurologista. Quando o profissional chegou, a mãe reclamou do fato de ele não ter olhado o resultado do raio X e ele, então, olhou.

— Enquanto olhava, ele perguntou a um colega o que seria o problema, aí eu perguntei se ele sabia mesmo o que estava fazendo, porque parecia não saber. Ele tentou me mostrar a explicação no celular — diz.

Na quinta, 5, ainda não havia vaga para o exame. O neurologista teria retirado a paciente do SUS Fácil.

— Falei que queria a tomografia já e levei minha filha ao hospital particular para fazermos [o exame]. Quando voltou, o resultado mostrou que ela tinha três calcificações no cérebro. Perguntei ao médico da UPA se ele entende de tomografia. Ele disse que não, mas que tinha um amigo que entende. Tirou foto do resultado, enviou pra esse amigo no celular e essa pessoa confirmou que era calcificação — ressalta a mãe.

No domingo, 8, a equipe médica liberou Jéssica para se recuperar em casa enquanto aguarda por um chamado da rede pública para os próximos exames de tomografia e ressonância ao qual a paciente precisará se submeter. Com fortes dores de cabeça, ela tem perdido os movimentos do lado esquerdo do corpo.

Enquanto isso, a mãe se esforça para conseguir pagar pelo procedimento na rede particular quanto antes. Só com os resultados desses próximos exames é que os médicos poderão entender como surgiu e como tratar a calcificação no cérebro de Jéssica.

— Disseram que ela precisa se tratar em casa, tomando calmante, porque os analgésicos podem piorar a calcificação. Também fomos orientadas a voltar à UPA só se ela estiver literalmente morrendo de dor. De minha parte, também acho melhor que eu não precise voltar com ela à UPA, senão vai ter briga lá — diz a mãe.

Elisabete demonstra indignação com a demora no diagnóstico da filha.

— Ela passou por vários médicos, que disseram que ela tinha uma dorzinha qualquer que passaria com analgésico e que estava bem. Minha filha está só piorando. Poderia ter sido diferente se tivessem dado mais atenção e sabido diagnosticar o que ela tem — desabafa.

Outro lado 

Procurada pelo Agora, a Secretaria de Saúde não havia respondido até o fechamento desta reportagem, às 18h30. O posicionamento do órgão responsável pela UPA será publicado tão logo chegue.

 

 

 

 

 

 

 

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