Macro não tem vagas de UTI covid

Leitos em Divinópolis estão 100% ocupados; Prefeitura não descarta medidas mais restritivas ainda nesta semana

Bruno Bueno

A situação da covid-19 na macrorregião Oeste permanece desesperadora. Mesmo com os decretos que colocaram todas as cidades inseridas na onda roxa do programa Minas Consciente, fase mais restritiva que implica no fechamento de todos os estabelecimentos não essenciais, a região atingiu, na tarde de ontem,  a ocupação máxima dos leitos de UTI covid pelo SUS e até nos hospitais particulares, segundo fontes.

Sendo assim, até o fechamento desta matéria, não havia vagas para atender pacientes com coronavírus nas UTIs do sistema público. A Prefeitura de Divinópolis disse, com exclusividade ao Agora, que não descarta aumentar as medidas restritivas da onda roxa, como fechar estabelecimentos.

Dados 

A informação da ocupação máxima dos leitos é da Superintendência Regional de Saúde (SRS), que coleta os dados da Central de Regulação Assistencial do Estado  da Macrorregião Oeste/SUS-Fácil. Segundo a SRS, todos os 149 leitos das Unidades de Terapia Intensiva (UTI) para pacientes com Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) da macrorregião Oeste, utilizados para o tratamento da pandemia de covid-19, estavam ocupados até o fim da tarde de ontem.

Ainda segundo a SRS, os dados da enfermaria também preocupam. São apenas nove leitos disponíveis, representando 96,4% da ocupação total. O número, vale ressaltar, é para atender todas as 53 cidades da macro.

UPA e CSSJD

Conforme informações da Prefeitura, 20 dos 25 pacientes no CTI, que está com 100% de ocupação, são de Divinópolis. A enfermaria adulta também está totalmente preenchida, com 12 leitos ocupados por pacientes locais. Na ala infantil, quatro leitos estão preenchidos por pacientes de outras cidades.

No Complexo de Saúde São João de Deus (CSSJD), o CTI também está com 100% de ocupação dos seus 20 leitos. Na enfermaria, há somente cinco vagas disponíveis. O CTI Infantil conta, hoje, com cinco leitos para atender toda a região.

Transferência

A Prefeitura salientou que, mesmo sem vagas para atender na UTI covid, ainda não foi preciso transferir pacientes para outras cidades.  

No entanto, segundo apuração do Agora, algumas pessoas que não encontraram vagas na cidade procuram disponibilidade em outros municípios. Foi o caso do pai da responsável pela Delegacia da Mulher, delegada Maria Gorete Rios, que, sem encontrar leitos disponíveis em Divinópolis, buscou atendimento em mais de quatro cidades. Sem sucesso em Bom Despacho, Oliveira e outros municípios, o homem, natural de Itapecerica, só conseguiu ser atendido em Nova Serrana, onde morreu. 

A delegada afirmou que, mesmo possuindo plano de saúde, seu pai não foi atendido pelo convênio.

— Ele tinha plano de saúde, mas foi atendido pelo Sistema Único de Saúde (SUS). 

Segundo ela, os profissionais de Itapecerica disseram que a vaga no SUS é mais fácil de conseguir que no plano. 

— Nesta guerra não adianta plano de saúde, nem dinheiro. O SUS é que vem dando o recado — comenta. 

Questionada sobre como funciona a chegada de pacientes de fora para Divinópolis, a Prefeitura respondeu:

— Se chegar pedido de outra cidade, é feito o cadastro e o paciente aguarda no hospital do município de origem até que disponibilizar a vaga. Mesmo se o paciente for da rede particular de outra cidade e pedir transferência para o SUS, também é feito um cadastro e ele também terá que aguardar — informou.

Ainda sobre a situação, a Prefeitura afirmou que nenhum paciente morreu na fila esperando por vagas nos leitos de UTI em Divinópolis. Disse também que pacientes da cidade não precisaram ser transferidos para outros municípios.

Alarmante

A situação é ainda mais alarmante do que no começo da onda roxa, que se iniciou no último dia 13. Na ocasião, o hospital de campanha, localizado na UPA Padre Roberto, também atingiu a ocupação máxima dos leitos. Todavia, na oportunidade, ainda havia vagas no Complexo de Saúde São João de Deus, o que não acontece neste momento.

O prefeito Gleidson Azevedo (PSC) fez um apelo para que a população colabore.

— O Poder Público tem feito tudo o que é preciso para que o número de casos de covid-19 caia em Divinópolis e, ainda, buscando a instalação de novos leitos junto ao Governo do Estado, mas eu insisto para que a população colabore e fique em isolamento social. Precisamos urgente que o povo entenda o que está acontecendo e colabore, para que a situação não fique ainda mais grave — pediu o chefe do Executivo.

Mortes

Para piorar a situação, a Prefeitura confirmou, na tarde de ontem, a morte de mais três pessoas em decorrência da covid-19 na cidade. 

A primeira vítima foi uma mulher, de 92 anos, portadora de doença cardiovascular crônica e diabetes. O óbito ocorreu no dia 16 de março. O segundo registro é também de uma mulher, de 63 anos, portadora de doença cardiovascular crônica e obesidade. A morte aconteceu neste domingo, 21. Já o terceiro óbito foi de um homem de 64 anos, portador de doença cardiovascular crônica, nesta segunda-feira, 22.

Com os registros, o município chegou a 179 mortes por coronavírus.

Prioridade

Preocupada com a situação do colapso na saúde em Minas Gerais, a Associação dos Municípios Mineiros (AMM) enviou, na última semana, ofícios ao presidente do congresso nacional, Rodrigo Pacheco (DEM), para que seja priorizada a liberação de recursos de emendas parlamentares destinados aos fundos municipais de saúde.

A nota ainda destacou que o estado pode viver uma situação semelhante ao que a cidade de Manaus (AM) vivenciou no começo do ano.

 



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