Luta que segue

Editorial

Uma mulher de 47 anos foi o primeiro caso do novo coronavírus diagnosticado em Minas Gerais. Na próxima segunda-feira, 8, a pandemia, que tomou conta das notícias dos veículos de comunicação, completará um ano. O primeiro caso de covid-19 registrado em Minas foi em Divinópolis. Um mês depois, no dia 9 de abril de 2020, veio a notícia da primeira morte confirmada na cidade. A médica oftalmologista Ana Cláudia Monteiro, 46 anos, lutou bravamente por sua vida. Internada no Hospital Santa Mônica por 14 dias, e em tratamento durante 21, Ana Cláudia não conseguiu vencer o vírus. Depois dela, vieram outras 160 pessoas, que perderam a luta para a covid-19. O último boletim epidemiológico divulgado pela Prefeitura mostra que Divinópolis tem 6.900 casos confirmados da doença, 161 mortes e 40.436 casos notificados. 

A exemplo dos demais municípios brasileiros, a cidade completa, no próximo dia 8, um ano de sua luta contra a pandemia da covid-19, e enfrenta um dos seus piores cenários. Neste ano, uma pessoa morre em consequência da doença a cada 24h no município. Janeiro foi o pior mês da pandemia, com 43 óbitos registrados. A luta parece estar longe do fim. A onda verde do programa Minas Conscientes, que já era avistada, parece cada vez mais longe. Os indicadores epidemiológicos colocam a cidade em alerta. Os pacientes transferidos de outras localidades também não param de chegar. O caos não é mais “logo ali”, ele é aqui, mais perto do que se imagina. E, como se a cidade estivesse em um “cabo de guerra”, enquanto alguns lutam por suas vidas nas unidades e centros de terapia Intensivos, outros vivem como se não houvesse uma pandemia para ser enfrentada. Sem políticas públicas eficazes, com a vacinação andando a passos lentos, os brasileiros, os mineiros, os divinopolitanos estão jogados “à própria sorte”. 

As notícias que tomam conta do Brasil hoje mostram apenas o caos. Na região do Triângulo Norte, em Minas, não há mais vagas hospitalares; no Norte do Brasil, o caos em Manaus; cidades de São Paulo decretaram lockdown; o estado de Goiás e outros foram no mesmo caminho. Todos dependendo de um sistema de saúde estrangulado. Um ano. E a luta não está exatamente igual, está pior. Um ano do primeiro caso no Brasil, um ano do primeiro caso em Minas Gerais, do primeiro óbito, e tudo está infinitamente pior. Jogado à própria sorte, o brasileiro é obrigado a acompanhar notícias como esta: “Com a transmissão controlada e sem registrar novos casos desde maio, é seguro dizer que Wuhan está livre da pandemia, e agora ruas, bares, clubes e lojas voltaram a viver uma situação normal”. Segurando em sua fé, em sua esperança, o brasileiro é obrigado a ver outros países, como a Nova Zelândia, voltando à vida de antes, com casos pontuais de covid-19, e medidas duras de combate e prevenção, onde esses casos são registrados. 

Dizem por aí “que nada é tão ruim que não possa piorar”. E é este o caso do Brasil. O que era ruim ficou ainda pior um ano depois. E a única alternativa neste momento é rezar, orar ‒ a critério de cada um ‒ (e agir) para que tudo não esteja ainda pior daqui um ano, e a luta tenha acabado.  

 

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