Livros escolares novos são transformados em papel higiênico, denuncia vereador

Diego Espino afirma que mais de 10 mil exemplares foram descartados somente em uma escola de Divinópolis; vereador propõe substituição por tablets

 

Bruno Bueno

Mais de 10 mil livros escolares de uma escola de Divinópolis, a maioria novos e em ótimo estado, sendo descartados para serem transformados em papel higiênico. Essa foi a denúncia que levou o vereador Diego Espino (PSL) a se exaltar mais uma vez durante a 78ª Reunião Ordinária da Câmara Municipal na tarde de ontem.

De acordo com o parlamentar, o descarte, que ocorre pelos livros estarem vencidos, aconteceu na Escola Estadual Dona Antônia Valadares, localizada na região central. Além de citar o ocorrido durante o pronunciamento, o vereador compareceu à escola na manhã da última quarta-feira, 8, para checar a denúncia que veio de um cidadão que estava passando no local e ficou impressionado com a situação. Os livros, segundo a testemunha, estavam sendo descartados em uma caçamba dentro de uma caminhonete. Espino afirmou que a situação lhe deixou flagelado.

— Me deparei com essa cena forte que inclusive eu nunca vou esquecer. Vários livros, cerca de 10 mil, didáticos, novos e que poderiam estar ensinando pessoas estavam sendo arremessados de qualquer forma dentro de uma caminhonete. Aquilo me deixou flagelado. (...) As informações que eu tive é que esses livros seriam triturados e posteriormente se tornariam papel higiênico — afirmou.

 

Prejuízo

O prejuízo, estima o parlamentar, chega à casa de R$ 100 mil. Diego explicou que a situação acontece em todas as escolas estaduais de Divinópolis e em outras cidades da região.

— Eu fiz um apanhado e colocando uma média baixa de R$ 10 por livro, com 10 mil exemplares triturados, nós estamos jogando fora R$ 100 mil que se transformam em papel higiênico. (...) Apesar disso não ser ilegal, porque os livros estão vencidos, eu queria perguntar se vocês concordam com isso? Ocorreu ontem em Divinópolis, hoje está sendo feito em Pitangui e amanhã será em Pará de Minas. É dinheiro do nosso imposto. A maioria dos livros são novos — disse.

 

Solução

O vereador propôs uma solução para acabar com o prejuízo. Segundo o parlamentar, o ideal é que os livros escolares sejam substituídos por tablets que, por serem digitais, podem ser atualizados de forma simples e não precisam ser descartados. Ainda de acordo com o político, a confecção dos exemplares custa aos cofres públicos cerca de R$ 4,5 bilhões a cada três meses.

— Não é possível que esses livros não tenham outra serventia e que alguém não possa pegar esses livros, ler e aprender com eles. São mais de R$ 4,5 bilhões a cada 3 meses com confecção de livros. (...) Eu queria deixar aqui para vocês que eu já tenho a solução para isso. (...) É viável que a gente compre tablets em vez de confeccionar livros que, no futuro, vão ser descartados. No tablet a gente não perde o conteúdo. Ele se modifica e a gente atualiza. (...) Não pode continuar dessa maneira — explicou.

 

Por fim, Diego informou que, mediante apoio do deputado federal Domingos Sávio (PSDB), se desloca, na próxima semana, para Brasília, a fim de conversar com o Ministério da Educação sobre a possibilidade de substituição dos livros por tablets.

— Eu recebi a mensagem do  deputado federal Domingos Sávio que de prontidão me ajudou com os relacionamentos em Brasília e que semana que vem estaremos indo no Ministério da Educação para conversar sobre essa situação — pontuou.

 

Repercussão

A denúncia de Diego Espino repercutiu nas redes sociais. A live publicada no Instagram, quando o vereador compareceu à escola, já conta com mais de 5 mil visualizações e quase 200 comentários. No entanto, a opinião dos internautas ficou dividida sobre a atitude do parlamentar.

— Tão nojento isso. A caçamba, em dia de chuva, na rua, recebendo os livros para serem doados? Quanta mentira! Quanta safadeza e desperdício! É uma afronta à vida humana. Com tantos miseráveis precisando desses materiais ! Nojento, repugnante! — disse o internauta Junior Pepo em apoio à fiscalização de Diego.

 

Joanna Monteiro, por sua vez, questionou se o parlamentar não sabia dessa situação que, segundo ela, acontece todos os anos. Ela opinou que as escolas e os funcionários não têm culpa do ocorrido e que o Estado precisa propor uma solução para conter o descarte.

— O vereador não sabia disso? Isso acontece todos anos. E esse ano foi pior mesmo. Vários alunos deixaram as escolas, não buscaram por falta de interesse. Não estou defendendo, mas o Estado precisa de uma política para acabar com esse desperdício de dinheiro público. A culpa não é das escolas, muito menos dos funcionários — opinou.

 

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