Leishmaniose ainda preocupa

 

Matheus Augusto

A Leishmaniose Visceral Humana (LVH) ainda continua sendo motivo de alerta em Divinópolis. Segundo o boletim epidemiológico divulgado pela Secretaria Municipal de Saúde (Semusa), desde 2007, a cidade já teve 24 casos da doença e três mortes. As ações preventivas parecem estar funcionando. Neste ano, segundo informou a secretaria, não há registros de casos de LVH.

A Semusa também relatou que, entre janeiro e junho, 908 cães foram avaliados sorologicamente pelo teste rápido para Leishmaniose Visceral Canina (LVC). Desses, 122 (12,3%) reagiram positivamente ao exame confirmatório.

Dados

Todas as mortes ocorreram no ano passado, nas regiões Sudoeste e Central.

— O município de Divinópolis (...) é considerado endêmico para LV. (...) No ano de 2018, foram confirmados casos de Leishmaniose visceral humana (LVH) nos bairros São Judas Tadeu e Porto Velho — explica o estudo.

Durante os nove anos, mais de mil cães tiveram que ser eutanasiados, segundo as recomendações do Ministério da Saúde (MS).

— Entre os anos 2010 e 2018 foram avaliados para o diagnóstico de LVC 11.976 cães, dos quais 1.846 (15,4%) foram reagentes para LVC por dois testes de diagnóstico imunológico. Dos cães com LVC, 1.541 (83,5%) foram eutanasiados, conforme recomendações do Manual de Vigilância e Controle da Leishmaniose Visceral do MS — afirma o documento.

As eutanásias ocorrem como forma de evitar a contaminação também de humanos, uma vez que os cães acabam sendo transmissores da doença.

— Existe intensa discussão sobre o real impacto da eliminação de cães soropositivos para LV e a ocorrência de casos de LVH, mas estudos epidemiológicos em centros urbanos concluíram que a LVC precede os casos humanos — ressalta.

Contabilizando as avaliações de 2010 até 2018, Divinópolis examinou 11.976 cães, sendo que 1.846 testaram positivos para LVC. Os números representam uma frequência média de 15,4%.

Os anos iniciais apresentaram os menores indicadores de frequência. Em 2010, de 2.637 cães avaliados, apenas 215 (8,2%) tiveram diagnóstico positivo. Em 2011, foram 1.129 animais analisados e 86 (7,6%) tinham LVC.

A menor frequência foi registrada em 2012, sendo 3,8%. Dos 3.510 cachorros examinados, apenas 132 estavam infectados. Já a maior incidência, de 49,5%, ocorreu em 2014, quando, de um total de 787 análises, 287 estavam contaminadas com LVC.

E os sinais ainda servem como alerta. Em 2017, a secretaria avaliou 1.232 cães, dos quais em 209 (16,9%) foi registrada a presença da doença. No ano seguinte, o indicador de frequência aumentou para 25,7%. De uma amostragem de 1.200 animais, 308 estavam infectados.

Cuidados

Ainda de acordo com o estudo, determinadas regiões são mais favoráveis à infecção.

— (...) a ocorrência de casos caninos e humanos em Divinópolis se dá em maior quantidade em áreas que apresentam características semelhantes, como regiões próximas aos efluentes, áreas de alta vulnerabilidade social e de infraestrutura escassa, com alto número de cães errantes e cães domiciliados vivendo em casas com quintais favoráveis ao desenvolvimento do inseto vetor — pontua.

A Prefeitura informou no fim do ano passado que, desde 2017, a cidade conta com um Programa de Controle de Leishmaniose, parte da Semusa. Em declaração na época, a coordenadora do programa, Marcella Oliveira Gama de Melo, explicou que, em áreas urbanas, a presença de cães infectados está relacionada à contaminação de humanos.

— É sabido que o cão doméstico é reservatório do parasita causador dessa enfermidade, e casos caninos precedem casos humanos em áreas endêmicas — explicou a coordenadora.

A intenção é que sejam realizadas ao menos cinco ações de controle da doença por ano.

—[O Programa de Controle de Leishmaniose] realiza testes de diagnóstico de LVC em cães direcionados ao Centro de Referência de Vigilância em Saúde Ambiental (Crevisa) pela população e também nos animais de ruas. Também realiza exames em casa mediante demanda da população — pontuou a Prefeitura.

Além disso, são produzidos relatórios contendo informações sobre as localidades das ocorrências, a fim de se mapear a situação de cada região.

— Produzimos um inquérito censitário canino próximo ao local onde for confirmado caso humano de leishmaniose e um inquérito amostral em todas as regiões sanitárias com finalidade de mapear os casos caninos de LV — informou a Prefeitura na época.

Prevenção

Dentre as ações preventivas, além do controle canino, está sendo realizada a conscientização da população em relação à doença.

— Medidas de (...) educação em saúde e manejo ambiental estão sendo implementadas na rotina de trabalho dos agentes de controle de endemias do município para que a população seja esclarecida sobre as formas de combate e controle da Leishmaniose Visceral. O controle populacional canino está sendo realizado pelo Crevisa como medida de redução dos casos de LVC — explicou a secretaria no estudo.

Resultados

A análise de dez anos da doença na cidade permitiu a conclusão da secretaria de que melhorias precisam ser implantadas, a fim de reduzir os índices de contaminação.

— As medidas de controle da LVC propostas pelos serviços de vigilância e programas de saúde pública ainda são deficientes, pois não foram capazes de conter o aumento dos casos e nem a distribuição geográfica da LV, favorecendo sua urbanização — explica.

Ainda de acordo com a Semusa, através do documento, um inquérito amostral canino está em andamento, desde janeiro de 2018, para o desenvolvimento de ações de controle específicas para cada região da cidade.

— Quando estiver concluído, ações de controle serão implementadas e realizadas da forma mais efetiva e de maneira individual em consonância com a realidade de cada setor de saúde avaliado, com objetivo de atuar na redução dos casos humanos e caninos — destaca. 

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