Justiça autoriza liberdade para Pedro Lacerda

Suspeito de matar segurança em evento vai responder a processo em liberdade; alvará de soltura foi expedido ontem

Bruno Bueno

O empresário Pedro Henrique Lacerda Ferreira, 32, foi solto na noite de ontem, em Divinópolis. A informação foi confirmada pelo advogado de defesa, William Gomes Melo. O homem é acusado de matar o segurança Edson Carlos Ribeiro, 42, em um evento no parque de exposições no dia 25 de setembro. Ele foi preso em flagrante após, conforme testemunhas, agredir o homem e estava detido desde então.

O alvará de soltura, conforme o Agora noticiou em primeira mão, foi expedido pela Justiça no fim da tarde de ontem. Por volta de 20h, segundo seu advogado, ele deixou o presídio.

 

Relembre

A morte do segurança chocou os divinopolitanos e repercutiu nacionalmente. Centenas de divinopolitanos utilizaram as redes sociais para transmitir mensagens de carinho e luto para a família de Edson. Uma vaquinha on-line foi criada a fim de adquirir fundos para a família enlutada. 

Movimentos sociais realizaram diversas manifestações clamando por justiça. Um protesto ocorrido na tarde de domingo após a morte foi marcado por gritos de “Vidas negras importam”. Eles compareceram à Delegacia de Polícia Civil e a outros pontos da cidade.

O fato também repercutiu nacionalmente. O influenciador Hugo Gloss, que tem quase 19 milhões de seguidores, disse que o caso era revoltante. Os sites Metrópoles, Yahoo e Correio Braziliense, além dos jornais O Tempo, O Globo e O Estado de Minas foram outros veículos que noticiaram o fato. Nas publicações, várias pessoas comentaram a hashtag #JustiçaPorEdson, que se tornou marca registrada das pessoas que pedem justiça. 

Em entrevista exclusiva concedida ao Agora na semana do fato, Ana Paula Silva, viúva do segurança,  disse que ainda não consegue acreditar na morte do marido. Emocionada, ela afirmou que um dos piores momentos do dia acontece quando ela espera o companheiro chegar em casa do trabalho e percebe que ele não vai voltar.

 

Investigação

Após três semanas de investigação, o inquérito final da Polícia Civil foi apresentado na última sexta, 8. Nele, delegados  e legistas apresentaram o laudo médico. O inquérito apontou “morte súbita” como a causa do óbito. 

Durante a apresentação dos dados, o médico-legista Marcel de Barros Duarte Pereira disse que o coração da vítima estava com um tamanho acima da média. Ele também disse que não foram encontrados sinais de lesões causadas pelo soco-inglês que supostamente teria sido usado na agressão. Conforme a PC, somente uma das 20 testemunhas ouvidas relatou ter visto o objeto. A PC também esclareceu ter encontrado apenas um pequeno corte no supercílio durante a análise. A suposta agressão na traqueia foi descartada.

O delegado titular da Delegacia de Homicídios, Marcelo Nunes Júnior, afirmou que considera “forçado demais” configurar o crime como homicídio. No entanto, revelou que o trabalho é da Justiça. A tipificação do caso, conforme o entendimento do juiz responsável, pode deixar de se enquadrar em lesão corporal seguida de morte para lesão leve, o que reduziria a pena a ser cumprida.

O Agora segue acompanhando todos os desdobramentos do caso.

 

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