Jogo de empurra

Preto no Branco

Um fato ocorrido no último domingo, envolvendo o Serviço Municipal do Luto e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), só comprova que está faltando, no mínimo, diálogo entre quem dita as ordens de um lado e do outro. Um simples chamado de um genro para atender sua sogra no bairro Interlagos virou um angu de caroço. Primeiro foi acionado o Samu, que, por ter entendido que já era caso de óbito, pediu que a família ligasse para o Luto. Este, por sua vez, se negou a recolher o corpo, pois interpretou que a senhora não havia morrido. Neste jogo de empurra, os dois chegaram à casa quase ao mesmo tempo. Os agentes funerários revelam constrangimento por parte deles e da família, visto que não havia morte confirmada. Já o CIS-URG, responsável por gerir o Samu, afirma que que houve tentativa de reanimação, mas a mulher já estava sem vida. A Prefeitura, por sua vez, se manifestou também dizendo que haverá uma reunião para tratar sobre o assunto. E é o que a Administração deve fazer mesmo. O que não pode continuar é esse jogo de empurra em serviços de fundamental importância para a população e tão delicados.

Função perigosa 

Na verdade, a principal responsável por estes desencontros de informações e reclamações dos agentes funerários, que alegam fazer um serviço para o qual não têm competência, é a própria Prefeitura.  Foi em uma reunião envolvendo representantes do Samu, da Administração e do Luto que foi decidido que os agentes são responsáveis por buscar os corpos nas casas das famílias e, de lá, levar para UPA, para que um médico faça a Declaração de Óbito. Neste sentido, os servidores do Luto não deixam de ter razão. Supõe-se que a pessoa teve uma parada cardiorrespiratória, por exemplo. Se um médico fosse à residência, ele tem qualificação apropriada para tentar uma ressuscitação. Caso seja um agente do luto, ele apenas pega esta pessoa e leva para UPA. Se ela tinha uma chance de sobreviver recebendo os cuidados de um especialista, pode morrer a caminho da Unidade de Pronto Atendimento. Indo ainda mais fundo, o caso de um assassinato por envenenamento, apenas para exemplificar. O agente não poderia remover o corpo sem o trabalho pericial, porém, ele não saberá como proceder. Delegar responsabilidades por este ou aquele motivo é absolutamente normal dentro de uma empresa ou instituição pública, mas jogar literalmente no colo sem a pessoa dar conta pode ser perigoso.   

Falta a verdade 

Neste momento, que é considerado o pior da pandemia do coronavírus, buscar corpos nas casas não é a única preocupação que vem tirando o sono dos agentes funerários. Eles estão temerosos, principalmente, quando se trata de recolhimento de pessoas em hospitais e casas que foram vítimas da covid-19. A alegação é que eles não possuem o equipamento de segurança ideal para suas proteções adequadas. Trata-se de um macacão branco que, por incrível que pareça, vem sendo emprestado pelo Samu. Questionada pelo Agora em reportagem na última semana, a Prefeitura negou e afirmou com todas as letras que o Serviço Municipal do Luto possui a roupa para este atendimento específico. No entanto, faltou com a verdade, os agentes usam emprestada pelo Samu. E não precisa omitir, ora bolas, uma questão simples de se esclarecer e resolver. 

Pensando no melhor 

Embora muita gente não saiba, porque faltou comunicação, a Prefeitura está acertando também e muito. Um exemplo é no próprio Luto, onde havia um carro funerário alugado, um preto, que era alugado por um absurdo por mês. Os mais atentos devem estar percebendo a falta dele no pátio do Serviço Municipal e também pelas ruas da cidade. Com o valor que era pago, a gestão Gleidson/Janete comprou seu próprio veículo e, com o dinheiro que pagava o aluguel, arca com as prestações do que agora é patrimônio da Prefeitura. Bola dentro, como a devolução dos Corolas alugados, que eram usados pelo ex-prefeito e comitiva. Ganha a população, pois os valores gastos podem ser usados em prol de suas necessidades. Talvez esteja faltando um alinhamento mais pontual para que situações como a do Luto não sejam motivos de tantas dúvidas e virem um imbróglio. Ou, quem sabe, um tempero a mais na comunicação, misturando experiência com atenção. #Ficaadica.

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