Jaime Martins e Domingos Sávio divergem sobre intervenção federal no Rio

Ricardo Welbert

O Congresso Nacional vota nesta segunda-feira, 19, a partir das 19h, o decreto de intervenção federal na segurança do Rio de Janeiro. O documento foi assinado pelo presidente Michel Temer (MDB) na última sexta-feira, 16.

O decreto federal repassa às Forças Armadas a responsabilidade do comando das Polícias Civil e Militar e do Corpo de Bombeiros e sistema prisional no estado do Rio. O objetivo é combater a criminalidade na capital fluminense.

Os deputados federais Jaime Martins (PSD) e Domingos Sávio (PSDB)

Jaime Martins diz que está preocupado com o decreto. Segundo ele, a ação é válida, mas emergencial e com resultados específicos para aquele estado e não para todo o país.

— A possível migração de bandidos para Minas Gerais, ameaçando a segurança das nossas famílias e aterrorizando a população, precisa ser pensada e debatida com a seriedade que o tema exige — diz ele.

Ainda segundo o deputado federal, a medida precisa incluir planejamentos estratégicos afim de que a criminalidade não migre para outras regiões do país, em especial Minas Gerais.

— É preciso ficarmos atentos e cobrarmos do governo federal a adoção de medidas que deem segurança a todos. Participarei dessas discussões cobrando mais esclarecimentos das ações que se desenrolarão a partir de agora. É necessário guardar, também, os interesses dos outros estados — ratifica o deputado.

Os deputados federais não poderão sugerir mudanças no decreto que está em vigor. A reunião em plenário é para a aprovação ou não do decreto.

Domingos Sávio

Já o deputado federal pelo PSDB se posicionou a favor do decreto de forma emergencial, porém destacou que a medida é paliativa e não resolve o mesmo problema enfrenado por outros Estados.

— É necessário porque não dá para assistir o povo do rio sendo vítima de tanta violência, refém dos bandidos, de uma guerra insana, matando crianças, inocentes a cada minuto. Mas, não resolve porque não é só no Rio. O problema é estrutural. Não há financiamento adequado. O governo federal investe menos de 1% de tudo que arrecada em segurança pública — diz.

Ainda segundo ele, isso deixa os estados de todo o Brasil em condição de miséria, sem condições de combate ao crime.

Sávio afirma que é preciso acabar com o “discurso de que segurança pública é prioridade” e assumir uma atitude. Mencionou a emenda à Constituição proposta por ele que assegura 5% de toda a receita da União para investimento no setor.

— A minha emenda foi assinada por ampla maioria dos deputados, mas está na gaveta. É preciso tirar e aprovar para segurança pública ser prioridade — destacou.

Para ser autorizada, a intervenção precisa do voto favorável de metade dos deputados presentes na sessão mais um, o que corresponde à maioria simples. O decreto também deve ser votado no plenário do Senado Federal.

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