Já imaginou?

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), assumiu o compromisso de terminar 50% da obra do Hospital Público, há três anos parada. A construção começou em 2010 e seria entregue no segundo semestre de 2012. A placa fixada na porta da obra mostra que ela estava orçada inicialmente em R$ 47.830.050,00, mas, de acordo com a Secretaria de Estado de Saúde (SES), a previsão de custo final é de R$ 98.917.720,37. A unidade, que beneficiaria toda a região Centro-Oeste não passou de um palanque eleitoral, e já elegeu muitos políticos, que a usaram sob o pretexto de que seria feita e concluída. O fato é que, caso Zema cumpra a sua promessa e repasse os pouco mais de R$ 40 milhões que faltam para terminar a construção – a SES informou que já foram liberados R$ 63 milhões para a obra, o que corresponde a 60% da total – parte do hospital já estará em funcionamento e muito político estará órfão de “filho”.  Exceto o deputado federal Domingos Sávio (PSDB), que afirmou ao Agora ter o recurso garantido e já depositado para a compra dos equipamentos para pleno funcionamento do hospital. 

O Brasil tem uma cultura bastante peculiar. Talvez por o povo não saber distinguir o que é de competência da Prefeitura, da Câmara, do Judiciário, das polícias, e qual obra é responsabilidade de qual órgão, perpetuou-se no país a crença de que qualquer político faz obra. Mas a coisa não é bem assim. A verdade é que quem faz a construção é o próprio povo, e com o dinheiro do seu imposto. A única coisa que o povo precisa é um representante, do Executivo, para autorizar o início da obra. Este representante pode ser do Governo Federal, do Estado, ou da Prefeitura, que são os poderes Executivo, em outras palavras, que executam. Porém, como há no Brasil a cultura de o povo agradecer a político por obra pública, muitos deputados e vereadores se aproveitam disso, e usam a construção para se autopromover, seja prometendo emendas parlamentares para “ajudar” na conclusão ou para equipá-la depois de finalizada ou, ainda, para fazer oposição ao governo, por sua “incompetência”, ao deixar uma obra parada.

E toda esta situação é fácil exemplificar. Durante a campanha eleitoral, no ano passado, o que teve de candidato que visitou o Hospital Público não está “escrito no gibi”, como dizem por aí. Eles visitam a obra quase inteira, no fim paravam em um local estratégico e faziam o seu discurso revoltado com os governos passados, que deixaram a construção afundar em meio a infiltrações e mato. Falaram o que o povo queria ouvir e pronto. Mas já imaginaram se um dia não houvesse uma obra pública sequer inacabada neste país? Como os políticos iriam se eleger? Qual discurso iriam usar? O prefeito Galileu Machado (MDB), por exemplo, foi eleito prometendo construir quatro Unidades de Pronto Atendimento (UPA’s) em Divinópolis, sem recursos devido ao atraso nos repasses do Estado, não fez. Independente disso, o povo acreditou, foi lá e votou.

Mas aí fica a pergunta: quem está errado? O povo, por não saber o que é obrigação de cada Poder? Ou os políticos, por se aproveitarem da ignorância do povo? É como dizem por aí: “todo dia é assim, acorda um esperto, e acorda um otário”. Agora, basta você saber de qual lado está, até que não haja uma obra parada para ser concluída no país.

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