Já era esperada

 

José Carlos de Oliveira

jcqueroviver@hotmail.com.br

Chega ao fim mais uma passagem de Luiz Felipe Scolari pela Toca da Raposa. Como da vez anterior, o treinador larga o trabalho no meio do caminho, mas agora por motivos menos nobres que o de anos atrás. Da outra vez, ele saiu para comandar a Seleção Brasileira. Agora, larga o barco sem dar grandes explicações, jogando a culpa tão somente nas enormes dificuldades que a Raposa terá pela frente na temporada que se avizinha.

E pode até ser essa a verdade, mas é algo que duvido muito. À primeira vista, o que fica claro é que ele não se mostrou disposto a continuar no clube recebendo bem menos do que poderia receber em propostas futuras, principalmente de times do exterior. Pensou primeiro nele, esse é o ponto. 

Tem todo o direito de agir assim e ninguém pode questionar. Cada um sabe onde aperta o calo e ele, Felipão, tem todo o direito de escolher onde quer trabalhar e o que busca para o seu futuro, mas colocar agora a culpa apenas na crise financeira e institucional do clube não é e nem será a melhor resposta. Ele já sabia de tudo bem antes de assumir o cargo, então, que não me venha com conversa mole.

Para o gasto

Em pouco mais de três meses de trabalho no comando da Raposa na Série B, Felipão dirigiu a equipe em 21 partidas, com nove vitórias, oito empates e quatro derrotas, conseguindo manter o time na Série B, mas sem levar o clube estrelado ao tão sonhado acesso à elite do Brasileirão.

É bem verdade que ele pegou a equipe em um mau momento, ocupando as últimas posições na tabela, mas mesmo assim teve trabalho abaixo do que se esperava dele. Com o elenco que tem, mesmo sem ser uma Brastemp, o Cruzeiro tinha obrigação de mostrar bem mais do que mostrou durante todo o campeonato, inclusive sob o comando de Felipão. O time jogou apenas para o gasto e deu no que deu, amargando mais uma decepção.

Já não era unanimidade

A conversa de ser Felipão o salvador da pátria durou pouco tempo. Há muitos dias, já há algumas rodadas, o treinador era questionado no clube – por grande parte da torcida e até mesmo por aqueles que ajudaram em sua volta à Toca – por não conseguir que o time rendesse em campo o que se esperava dele. Até mesmo nas vitórias, o Cruzeiro não jogou futebol suficiente para merecer voltar à Série A, e esse sofrimento do torcedor deve ser debitado também ao Felipão, que, mesmo com toda sua bagagem, não conseguiu tirar o máximo de seus comandados. E com todo mundo jogando abaixo do que pode render, não havia mesmo como se esperar nada melhor.

Esse é um ponto.

E tem mais

E o outro, e mais importante ainda, é sua total falta de capacidade para enxergar o óbvio. Todo o problema do Cruzeiro estava restrito ao seu meio de campo, formado por atletas que não conseguiam dar sequência às jogadas. Destruíam bem, mas eram impotentes na hora de municiar o ataque. Isso todo mundo viu durante todo o campeonato, mas Felipão insistiu até o fim em seu esquema de jogo, sem mostrar o caminho que pudesse tirar a Raposa do buraco. E a cada novo duelo era o mesmo sofrimento até o apito final, com o torcedor à espera de um milagre, que enfim o treinador tirasse da cartola a peça que faria a equipe engrenar. Como não conseguiu, o enredo do filme foi o que vimos em todas as rodadas, com o Cruzeiro só não se afundando mais na lama pelo esforço de uns poucos jogadores, porque a maioria deles pouco ou nada mostrou durante todo o torneio. E também o Felipão tem culpa nessa história.

Em tempo

E ainda bem que a decisão foi tomada agora, faltando ainda alguns meses para o início do Campeonato Brasileiro da Série B 2021 – que deve começar no fim de maio –, em que o clube estrelado entra em campo com a obrigação de vencer e conseguir o sonhado acesso.

Que a diretoria arregace então as mangas e trate de trabalhar duro para dotar o Cruzeiro de elenco e time de Série A, porque mesmo na Segunda Divisão nacional a torcida quer ver é futebol de qualidade, com o time em campo dando motivos para a China Azul voltar às arquibancadas e empurrar a equipe rumo ao sonhado acesso.

Então, que o presidente Sérgio Santos Rodrigues e seus diretores pensem bem antes de definir o novo treinador, porque o torcedor está de olho e não admitirá mais vacilo de ninguém.

E já chega de o Cruzeiro dar vexame por culpa de diretores. Basta!!!

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