Inveja

João Carlos Ramos

Inveja, segundo o credo católico, é um dos sete pecados capitais. A Bíblia não cita, especificamente, o termo pecados capitais, porém cita a inveja na carta de Paulo aos Gálatas 5: 19-21.

Tal citação se refere às "obras da carne" e está na mesma galeria do ciúme, ira, dissenções etc., cujos praticantes não herdarão o reino de Deus.

Evágrio, o solitário (monge do século IV), criou uma lista de oito pecados capitais e o papa Gregório Magno retirou o pecado da tristeza, oficializando apenas sete como sendo os famosos pecados capitais. Entende-se como pecado capital o pecado-mãe de outros pecados, ditos menores, segundo a educação moral da Igreja Católica Apostólica Romana.

Inveja é um substantivo feminino. Etimologicamente, a palavra é de origem latina, invidere, significando "não ver". Segundo a psicanálise, é um sentimento de angústia e revolta por não possuir aquilo que o outro possui, e, possuindo, não se sentir realizado. Pode ser considerado um "transtorno de personalidade". Um exemplo é a síndrome de borderline, caracterizado pelas mudanças súbitas de humor e medo de ser abandonado pelos amigos. Ele pode ser fruto dos transtornos de personalidade passivo-agressiva ou narcisista, dentre outros. É um sentimento doentio e pernicioso, contaminando outros com tendências recíprocas. É bastante comum, principalmente em empresas altamente lucrativas, onde, na maioria dos casos, existe a primazia da "primeira palavra" ou comercialização de sentimentos (ou prazeres...). A inveja cria o fato ou imagem que o invejoso quer e, para isso, coloca em execução planos maquiavélicos e versões totalmente teatrais. Famílias, igrejas e quaisquer entidades ou parcerias empresariais não estão isentas dos ácidos infernais da inveja. Sabemos que, em culturas primitivas, é praticado o canibalismo, pois creem que, se alimentando da carne do inimigo (preferencialmente), o poder dele é transferido para o praticante. Assim também o invejoso crê que, assassinando a reputação de alguém ou servindo de ponte para isso, o sucesso do outro lhe será transferido.

Jamais o invejoso afirmará isso, pois tal sentimento está arraigado em seu subconsciente, e ele, como um ator, poderá "jurar" que está sendo injustiçado e até invejado...

Com o avanço da tecnologia, o lucro fácil tornou-se alvo do invejoso, em primeiro plano; pois, assim, conseguirá tudo que os outros têm, em sua mente doentia. O invejoso desconhece a gratidão e laços de amizade para cumprir seus intentos. A história está recheada de exemplos de pessoas que, movidas pela inveja, geram ódio (filho predileto), praticando todas as  espécies de barbaridades, inclusive a calúnia e até o assassinato. O exemplo mais famoso, dentro da genealogia bíblica, é o de Caim, o primeiro invejoso da espécie humana, que assassinou seu irmão Abel, para se livrar daquela obsessão mental. A presença de seu irmão o atormentava, devido ao "sucesso" dele. A famosa frase: "por que ele e não eu?". A meu ver, as empresas deveriam contratar, profissionais (não invejosos...) para detectar casos mais avassaladores de invejosos contumazes e aprisioná-los  em círculos de aprendizagem ou tratamento científico. Brincadeiras à parte, a inveja é um sentimento negativo, e com sentimento não se brinca e nem se expõe. A verdade é que tais pessoas são altamente infelizes e precisam de amor, ainda que não os aqueça. Direcionemos nossas atenções para as pessoas inocentes, passeando no jardim da inexperiência... Basta que não sejamos, não importando quem sejam. Prossigam, iluminados! Um abraço a todos!

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