Intervenção eleitoreira

Ricardo Welbert

A intervenção federal na segurança pública do estado do Rio de Janeiro dá ao Exército plenos poderes sobre as polícias Militar, Civil, o Corpo de Bombeiros e o sistema prisional. O argumento oficial é de que se trata de uma tentativa de reduzir os altos índices de violência e criminalidade. O decreto foi aprovado nesta segunda-feira, 19, pela Câmara, com margem folgada de votos. O Senado também deverá aprovar.

Essa decisão do presidente Michel Temer (MDB) só reforça a incompetência do governador Pezão (mesmo partido), que, de forma completamente imprestável, não consegue fazer algo que prestasse com a caneta que ainda tem em mãos. Agora parte da tinta dessa caneta não é mais dele. A parte que cabe à segurança pública.

Pezão deveria aproveitar a brecha da intervenção para renunciar. Ter o bom senso de dizer ao Brasil – especialmente ao povo do estado do Rio – que foi completamente incapaz de exercer o cargo de governador. Deveria dizer ao povo: "Olha, eu tentei, mas o crime organizado aqui é mais organizado do que o meu governo, então tô fora".

Mas ele não vai fazer isso. Porque gente como ele não tem bom senso. Não tem ética. Não tem bons valores. O caráter necessário para tomar decisões que beneficiem a população passam longe de Pezão, assim como passam longe do ex-governador Sérgio Cabral (um doce para quem adivinhar o partido), que segue preso há um ano e três meses, condenado por corrupção em um esquema criminoso classificado pela operação Lava Jato como o maior do tipo já registrado no Rio. 

Não restam dúvidas de que essa intervenção do governo federal tem um imenso viés eleitoreiro. Logo no primeiro dia após a assinatura do decreto, Temer se reuniu com a equipe responsável pela imagem dele (não os maquiadores que aplicam aquele pó branco que faz o presidente parecer um vampiro (como se precisasse), mas sim os marqueteiros que criam a publicidade dele).

Todo mundo muito preocupado em entender se o presidente mais impopular da história do Brasil (3%) subiu pelo menos alguns pontinhos na popularidade. Quem viu aquela cara de bravo do Temer durante a assinatura do decreto e acreditou que aquela era a mais pura expressão do inconformismo do povo brasileiro com os picos de bandidagem se enganou de novo. É só mais da velha politicagem sanguessuga que tanto mal faz a todos nós.

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