Interessa a quem?

Hoje é um grande dia para Divinópolis. Em uma sessão extraordinária, convocada pelo presidente da Câmara, Adair Otaviano (MDB), os vereadores vão votar cinco projetos de lei de extrema importância para a cidade, e a Denúncia de Infração Político-Administrativa, em outras palavras, o impeachment do prefeito Galileu Machado (MDB). Os projetos de lei são nada mais, nada menos que o reajuste da planta de valores do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), a redução do repasse anual feito pela Prefeitura à Câmara e a autorização para o Poder Executivo fazer um empréstimo de R$ 5 milhões para realizar o georreferenciamento na cidade. Tais pautas são mais do que importantes, pois vão afetar diretamente a rotina do divinopolitano, e por isso, nada mais do que por isso, os vereadores terão que pensar muito bem qual decisão tomar.

De uns tempos para cá, o que mais tem se visto é um espetáculo muito bem orquestrado pelos edis. Cheios de palavras bonitas, vão para as redes sociais e discursam tudo o que há de mais lindo para o povo divinopolitano. São contra a corrupção, aumento de tributos, os cargos comissionados da Prefeitura, fazem oposição ao Galileu, mas não contam que têm, ou tiveram durante um bom tempo, gente nomeada no Executivo. É aquele velho ditado “de boas intenções, o inferno está lotado”, e de discursos bonitos, até o capeta já está cansado.

Dois anos se passaram, e o Legislativo junto com o Executivo não conseguiram outra coisa senão debater, trocar farpas e “ficar de mal”, tirando um ou outro, é claro. Quem acompanha de perto tudo o que acontece na política da cidade, lembra-se muito bem que em 2017 os poderes estavam desalinhados. Prefeitura e Câmara promoveram um cabo de guerra que não levou ninguém a nada. Muitos dos vereadores que se dizem oposição hoje, andavam ali, lado a lado, de mãos dadas com o prefeito. O ano acabou e, em 2018, o que mais se viu foi um populismo hipócrita e barato. Quem estava comendo um “pedaço do bolo lá do alto da Paraná”, como diz Adair Otaviano, se rendeu aos vídeos com discursos bonitos e inflamados, e declarou oposição. Mas, oposição a quem? Oposição que interessou a quem? Oposição só por oposição? Só para conseguir reeleição em 2020?

Pois mais uma vez, Divinópolis encerra um ano com grandes polêmicas. Revisão da planta de valores, mais um pedido de impeachment de Galileu, um empréstimo de R$ 5 milhões para o georreferenciamento, pauta delicada que não acaba mais. E, novamente, o futuro da cidade está nas mãos daqueles que amam um discurso bonito, mas que estiveram ali, bem mais próximo do inferno do que muitos imaginam. Mais uma vez, a cidade é palco de um espetáculo protagonizado pelos vereadores que ditam o que deve e o que não deve ser feito em Divinópolis. Mais uma vez os divinopolitanos esperam (ou não) que os parlamentares exerçam suas funções com responsabilidade, com técnica, números e fatos. Afinal, interessa a quem manter a cidade do jeito que está?

 

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