Infectologista faz alerta sobre situação do coronavírus em Divinópolis

Novembro ainda não terminou, mas já tem os piores números desde o início da pandemia de casos suspeitos e confirmados

Ana Laura Corrêa

 Divinópolis registrou, entre os dias 15 e 21 de novembro – na 47ª semana epidemiológica – o maior número de casos suspeitos de covid-19 desde o início da pandemia: foram 975 notificações. A semana ainda foi a segunda com maior confirmação de casos também desde março: 137, atrás apenas da semana entre os dias 18 e 24 de outubro, que teve 149 .

 É diante desse cenário que a médica infectologista e mestre em ciências da saúde Rosângela Guedes – membro do Comitê de Enfrentamento à Covid-19 da Prefeitura e que atende nos hospitais São Judas e Complexo de Saúde São João de Deus – fez um alerta sobre a situação do coronavírus em Divinópolis.

 — É estranho porque quando a gente caminha por aí, conversando com algumas pessoas ou nos atendimentos, a impressão que a gente tem é que a pandemia realmente acabou. Hoje [terça-feira], no atendimento pela manhã, vários pacientes falaram, pessoas que moram fora de divinópolis e que vieram para cá consultar, “Nossa, a situação em divinópolis está muito tranquila”, porque viram um grande número pessoas aglomeradas nas ruas sem máscaras como se não houvesse amanhã — disse em vídeo divulgado nas redes sociais.

 Segundo a médica, esses comportamentos não condizem com a realidade dos estudos epidemiológicos ou dos hospitais. Em 24h – entre a última terça-feira, 24, e ontem –, foram registrados 232 novos casos suspeitos de coronavírus em Divinópolis – já entre segunda-feira, 23, e terça-feira, esse número foi de 296, resultando em 528 novas suspeitas em 48h.

 — Nas últimas três semanas havia uma discreta redução da taxa de incidência, uma leve redução da ocupação hospitalar, mas não é o que a gente está vivenciando nesta semana — alertou.

 Além do aumento de notificações e casos confirmados, Rosângela Guedes ressaltou a elevação da ocupação hospitalar. De acordo com o boletim de ontem, há 37 pacientes internados em Centros de Terapia Intensiva (CTIs) e 44 em leitos de enfermaria com quadro compatível à covid-19 – o que resulta em 81 internações.

 Na quarta-feira passada, 18, havia 65 pessoas internadas e no início deste mês, no dia 3 de novembro, eram 57. 

 — Será que as pessoas estão realmente informadas do que está acontecendo? Às vezes eu penso que não, se a gente avaliar o número de festas que estão acontecendo, os eventos que estão sendo planejados, as comemorações, os encontros — afirmou.

 A infectologista também chamou a atenção para a responsabilidade social de cada pessoa diante do cenário da covid-19 em Divinópolis.

 — Eu acho que falta às vezes um pouco de empatia, de definição de prioridades na vida, porque você que está frequentando as festas, os encontros, sem máscara, que não está preocupado com isso porque não pertence a um grupo de risco ou porque não tem nenhum familiar de risco que mora com você, precisa entender que, se expondo, mesmo que não tenha um quadro grave, você está alimentando uma cadeia de transmissão de vírus que vai causar um quadro grave em alguém que pode ser às vezes os pais de um grande amigo seu, vizinhos seus ou familiares de uma pessoa que você nem conhece, que você cruzou num evento, numa balada, num bar — alertou a médica.

— Se a gente não se cuidar, nós vamos estar vivenciando uma situação muito ruim na época do Natal e do ano novo. Então isso precisa ser informado, colocado para que todos se cuidem de uma forma melhor e mais responsável — finalizou.

Dados

O mês de novembro ainda não terminou, mas já tem os piores números, desde o início da pandemia, de casos suspeitos e confirmados. Segundo o boletim disponibilizado ontem pela Prefeitura, a média de casos suspeitos diários é de 121 – superando agosto, que até então registrava a maior média, de 114. Em outubro, esse número era de 72.

 Até ontem, 3.035 casos suspeitos de covid-19 haviam sido registrados somente no mês novembro, que poderá ultrapassar agosto, que até o momento tem o maior número de notificações, com 3.524.

 Novembro também registra a maior média diária de casos confirmados, com 18,4. Até então, a maior média diária era do mês de outubro, com 15,1 confirmações.

 Dos 17.845 casos suspeitos registrados em Divinópolis desde o início da pandemia até a última terça-feira, somente 3.294 – o que representa 18,45% – haviam sido testados: 2.311 confirmados, 881 descartados e 102 em análise. A taxa de isolamento no município está em 34%, a de letalidade em 3,19% e o ritmo de contágio em 1,1 – o que significa que cada grupo de 100 pessoas contaminadas transmite o vírus para outras 110.

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