Atleta vai atrás de seus sonhos

Jogadora de futebol de Divinópolis treina e joga no América da capital

José Carlos de Oliveira

O futebol feminino do Brasil já teve a melhor jogadora do mundo (Marta), eleita cinco anos seguidos pela Fifa, e tem atletas jogando em várias partes do mundo, mas mesmo assim ainda não consegue o devido respeito por parte dos dirigentes dos grandes clubes.

Esta história deve mudar nos próximos anos. Os clubes têm até 2019 para se adequarem às novas regras da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), e se verão obrigados a montarem seus elencos femininos. A partir de então, só poderão jogar competições da Conmebol os times que mantiverem equipes femininas.

Em Minas Gerais hoje - dos grandes clubes -, apenas o América mantém um time feminino, mas mesmo assim com a ajuda de pais das atletas. São eles, os ‘paitrocinadores’, os principais responsáveis por manterem vivo o sonho de muitas jovens de jogar futebol.

Rebaixado em 2016, este ano o América vai disputar a Série A2 do Brasileirão. A lista tem ainda Centro Olímpico, Portuguesa (SP), Caucaia (CE), Duque de Caxias, Vasco (RJ), Viana, JV Lideral (MA), Pinheirense, Tuna Luso (PA), Tiradentes (PI), Botafogo-PB, Mixto (MT), CRESSPOM (DF), União Desportiva Alagoana (AL) e Náutico (PE).

Correndo atrás dos sonhos

Só consegue a vitória quem luta por seus sonhos. E este é o pensamento e propósito de bonita Ana Vitória de Oliveira, 15 anos, estudante da Escola Estadual Dona Antônia Valadares, que hoje treina e joga pelo América Futebol Clube, de Belo Horizonte. Acompanhada pelo pai Luís, ele viaja para a capital mineira todos os dias para treinar no estádio Baleião, que é onde o técnico Victor Alberice comanda as atividades técnicas e táticas para as atletas do time feminino do Coelho.

A história e o amor de Ana Vitória, a Aninha do Flamengo, pelo futebol vem desde pequena, quando aos 7 anos de idade, começou a treinar na escolinha de futebol do rubro-negro no estádio Mendes Mourão, jogando nos mesmos times dos garotos, sob o comando do técnico Zé Carlos.

No início apenas ela de menina, mas depois chegaram outras colegas para se juntarem ao grupo. Mas mesmo assim ainda eram poucas, porque poderiam ser muitas mais se o futebol feminino tivesse o devido respeito dos dirigentes.

Batendo bola no Mendes Mourão

Na manhã desta quinta-feira, no estádio Mendes Mourão, enquanto eram disputadas partidas entre as categorias menores do Flamengo e do Guarani de Porto Velho, pela Copa Gol de Placa, Aninha bateu uma ‘bolinha’ no fundo de campo e concedeu entrevista para a reportagem do Agora, falando de seus sonhos, conquistas e esperanças.

Com sua companheira inseparável, a bola, Aninha mostra confiança no futuro e acredita, sinceramente, que grandes coisas ainda estão por vir.

- Hoje viajo todos os dias, vou a Belo Horizonte e volto a Divinópolis, apenas para treinar no América, mas no futuro pode ser diferente. Com Cruzeiro e Atlético tendo que montar times femininos novas portas irão se abrir, e as jogadoras de futebol poderão em fim ser mais respeitadas e valorizadas, comemora ela.

Atacante, que gosta de atuar pelos lados do campo, Aninha ou Ana Vitória como é chamada por parte da imprensa esportiva, ela já tem seu futebol cantado em verso e prosa por alguns repórteres e comentaristas. Com apenas três meses jogando pelo clube da capital, a atleta já tem seu nome reconhecido e vislumbra muito mais para o futuro.

- As novas regras devem abrir muitas portas, e acredito que posso seguir sonhando e lutando por meus ideiais, de me tornar uma jogadora de futebol conhecida em todo o Brasil, confia Aninha.

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