Independência ou Morte

 

Augusto Fidelis

 

Independência ou Morte

 

Era o ano de 1922. A economia não ia bem. O governo brasileiro enfrentava um ano crítico, com disputas políticas e levantes militares. O mundo havia virado do avesso devido à Primeira Guerra Mundial. O tempo de otimismo e expansão da belle époque foi substituído pela dura realidade da guerra que varreu a Europa e afetou o Brasil. As elites brasileiras começaram a se preocupar com o despreparo militar do país e, inclusive, a Liga de Defesa Nacional defendia o serviço militar obrigatório.

A questão social se agravava. Eclodiram grandes greves nas principais cidades do país. O movimento operário ganhava força e reivindicava melhores condições de vida e de trabalho. Este era outro tema que mobilizava e opunha diferentes setores da imprensa e da intelectualidade. Posições divergentes opinavam sobre qual seria a melhor proposta para a sociedade, surgindo aí o Partido Comunista do Brasil (PCB) e o Centro Dom Vital, de orientação católica.

No começo de julho, a situação tornou-se crítica com a prisão do presidente do Clube Militar, marechal Hermes da Fonseca. No dia 5, eclodiu um levante militar no Rio de Janeiro. A revolta foi logo debelada, mas um grupo de jovens oficiais do Exército resolveu enfrentar, em plena praia de Copacabana, as forças legais. Foram fuzilados. Sobreviveram apenas dois: Eduardo Gomes e Siqueira Campos. O governo decretou o estado de sítio e o manteve até o fim do ano de 1922.

Mas o país precisava comemorar com dignidade o 1º Centenário da Independência, era necessário mostrar que o Brasil fazia parte do mundo civilizado. O Rio de Janeiro, palco do espetáculo, deveria ser saneado e embelezado. O presidente Epitácio Pessoa nomeou para a Prefeitura do Distrito Federal o engenheiro Carlos Sampaio, que em pouco tempo executou um amplo programa para celebrar a efeméride e sediar a Exposição Universal, com participação de 13 países, além dos estados brasileiros. O então presidente de Portugal, Antônio José de Almeida, foi o convidado de honra dos festejos e, no banquete oficial realizado no dia 18 de setembro no Palácio do Catete, iniciou seu discurso dizendo: “A emancipação política da grande Pátria que hoje é o Brasil foi um fato espontâneo e normal, consequência de uma evolução inexorável, que nenhuma força seria capaz de impedir”.

No próximo ano de 2022, o Brasil vai celebrar seu 2º Centenário de Independência. Infelizmente, o país vivencia uma situação parecida com a de 1922: instabilidade política, economia combalida, grave crise sanitária, falta de caráter das autoridades públicas. Precisamos, já no próximo dia 7 de setembro, dar início aos preparativos para a grande festa, porém, ninguém fala nada. Será que não vai haver a grande festa?!



 

 

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