Incompetência reafirmada

Ontem, mais uma vez o ex-secretário de Planejamento e Meio Ambiente de Divinópolis, Clever Greco (Bezito), falou claramente os motivos que o fizeram deixar a Prefeitura, em menos de um ano depois de nomeado. 

“Não fui chamado a sair e muito menos houve recomendação do Ministério Público para que eu deixasse o cargo, eu mesmo pedi para sair, pois não agüentei tanta incompetência das pessoas que tramavam contra mim o tempo todo que passei na prefeitura. Traição à queima roupam, frisou. Cada documento que assinava era copiado e mandado, como intimidação para o MP em forma de denúncia.” 

Foram estas as primeiras palavras de Bezito à reportagem deste Diário. Quem acompanha o que é publicado neste espaço viu que no dia 11, quarta-feira, ele já havia adiantado alguma coisa e sugeriu que tinha vontade de falar mais. E falou. Disse que foi “sacaneado” de todos os lados pelos seus auxiliares e que tomava, sim, as providências que julgava necessárias sem consultá-los, pois, se fosse fazer isto, nada andaria na secretaria. 

Repetiu que autorizou por conta e risco o andamento de mais de três mil projetos, condicionando a responsabilidade deles sobre tudo que estava escrito nos projetos, aos arquitetos e engenheiros. O que fosse pego de errado quando das visitas dos fiscais, ganharia multa e tempo suficiente para o devido conserto, se isto fosse possível. Caso contrário, a obra ficaria embargada até que tudo fosse resolvido, ou que tudo começasse do zero. 

Isto não agradou à turma que está na secretaria há dez, 20 ou mais anos. E assim, entre demoras e má vontade, o entusiasmo de fazer um bom e relevante trabalho, desembaraçando o emaranhado de coisas estranhas que estavam implantadas, resolveu que seria “melhor para a sua saúde” deixar o local embananado, já que o prefeito Galileu Machado (MDB) não teve o menor interesse para enfrentar o assunto. 

Este diário recebeu uma informação importante sobre o caso envolvendo Bezito e “sua equipe”: o prefeito sabia, por informações de funcionários da própria secretaria, que a presença dele não seria tolerada e que haveria boicote. Se houve ou não a ameaça, o resultado aconteceu no dia 28 de dezembro do ano passado, quando foi publicada a saída de Greco. 

Enquanto isso, quem por lá continua não parece preocupado com os destinos da cidade, que tem projetos parados por mais de oito anos, por causa de ações simples. A razão de várias indústrias estarem preferindo ir para Carmo do Cajuru está muito clara, só não a vê o prefeito que parece mais preocupado em nomear pessoas que mais lhe agradam para cargos de realce; que as finanças do município não são nada importantes; e o desenvolvimento do município menos ainda. “Não se sabe até onde esta cidade terá pés para caminhar sozinha”, foi um comentário interessante de ontem no meio político. 

OLHO 

Não se sabe até onde esta cidade terá pés para caminhar sozinha 

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