Incentivo à amamentação é tema de programa na UFSJ

Programa de extensão trabalha a importância da amamentação exclusiva

Da Redação

Aprovado em edital de extensão no final de 2020, o programa Alô Amamentação: uma contribuição à manutenção do aleitamento materno exclusivo tem como objetivo incentivar  a amamentação exclusiva até os seis meses de vida, idade considerada, pela Organização Mundial de Saúde, como a principal estratégia para a redução da mortalidade infantil, da promoção da saúde materno-infantil e do fortalecimento do vínculo entre mãe e bebê.

Coordenado pelas professoras Vânia Aparecida da Costa e Virgínia Junqueira de Oliveira, do curso de Enfermagem da UFSJ, Campus Centro-Oeste Dona Lindu, o Programa vem orientando gestantes que estejam com dúvidas sobre o aleitamento materno exclusivo (AME); nutrizes que estejam apresentando dificuldades para amamentar; profissionais de saúde que estejam atuando na assistência a essas mulheres; e também quem conviva com elas, assim como aqueles que estejam dispostos a ajudá-las na manutenção desse tipo de alimentação.

Os estudantes ligados ao Alô Amamentação, as coordenadoras e voluntários dos cursos de Enfermagem e Medicina estão disponíveis para acolhimento de segunda à sexta-feira, das 7h às 19h, pelo telefone (37) 99919-9563. Tão logo o contexto sanitário permita, o Programa vai investir em cursos de capacitação presenciais para gestantes, nutrizes e familiares, a fim de contribuir para o aumento dos índices da amamentação exclusiva, o que vai se refletir na promoção da saúde materno-infantil.

Orientação e tratamento

Embora o aleitamento materno seja um processo natural, é importante a ajuda de profissionais de saúde habilitados a realizar um aconselhamento satisfatório. Evita-se, assim, que a nutriz enfrente dificuldades comuns, como pegas inadequadas, mamilos rachados, mamas cheias (ingurgitadas), mastite, abcessos mamários, e a demora na descida do leite (“apojadura”), o que impede que a amamentação transcorra de forma plena e satisfatória para mães e bebês.

São situações que podem ser vencidas com orientação e tratamento corretos, mas que podem levar ao desmame precoce, aliadas à oferta de chás, água e ao uso de mamadeiras e chupetas. Entram ainda nessa equação fatores culturais, mitos, tabus sobre a amamentação, agravados pela ausência de uma rede de apoio à mulher, que trabalhe no sentido de evitar a interrupção do aleitamento materno exclusivo. Outro fator de agravo é a falta de conhecimento sobre a importância da amamentação, associada à carência de formação para o manejo adequado das mamas, aliados às intensas campanhas midiáticas que tratam de leites artificiais, por exemplo.

Todavia, na avaliação da professora Vânia, “o desenvolvimento do Programa tem sido gratificante para todos os envolvidos, além de ser um espaço importante de interlocução da Universidade com a comunidade.” Já foram realizados atendimento a 81 nutrizes, que receberam acompanhamento até a resolução dos problemas relacionados à amamentação.

O Alô Amamentação conta com parcerias da Secretaria Municipal de Saúde de Divinópolis, de instituições de ensino superior, igrejas e associações de bairro. Para acompanhar as ações do Programa, é só seguir seu Instagram.

O que é o Aleitamento Materno Exclusivo (AME)?

O Aleitamento Materno Exclusivo é caracterizado pela oferta ao bebê de apenas do leite de sua mãe, ou seja: ele não recebe nenhum outro tipo de alimento sólido, como papinhas, nem líquidos, como água, sucos, chás, ou outros tipos de leite. A oferta de outros alimentos antes dos primeiros seis meses de vida, além de desnecessária, pode ser o primeiro passo para o desmame precoce, o que eleva o risco de a criança adquirir diversas infecções, pela diminuição da absorção de nutrientes importantes existentes no leite materno, como ferro e zinco, além dos anticorpos da mãe. Os índices brasileiros estão aquém dos recomendados pela ONU e Unicef.

Para influir nesse cenário, é que o Alô Amamentação investe na formação dos futuros profissionais que vão prestar assistência às gestantes e nutrizes, nos serviços públicos de saúde do país, onde estarão aptos a promover ações educativas voltadas à comunidade, cumprindo, dessa forma o compromisso social da Universidade para com seus públicos.  

De acordo com a professora Vânia da Costa, essa oportunidade de colocar em prática um trabalho interdisciplinar e interprofissional, derivado de um programa de extensão, será de grande valia para enfermeiros e médicos formadas pela UFSJ.

— Trabalhar em equipe, saber valorizar os distintos saberes, reconhecendo-se os limites do próprio conhecimento, e estar aberto à produção de um novo saber a partir de diferentes olhares e visões de mundo, configura-se como um desafio contemporâneo — avalia a coordenadora.

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