Imagem achada no Itapecerica deve ficar em museu, diz MP

 

 Ricardo Welbert 

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) arquivou o inquérito aberto em 2016 para apurar o que foi feito com uma imagem sacra encontrada no rio Itapecerica, em Divinópolis. Após analisar os argumentos das partes envolvidas, a promotoria de Defesa do Patrimônio Histórico, Cultural e Turístico concluiu que a peça de madeira precisa continuar no Museu de Divinópolis, que está fechado desde o ano passado.

A imagem sacra é feita de madeira e tem 80 centímetros de altura. Foi retirada da água na manhã de 22 de novembro de 2014 por operários que removiam aguapés.

Muita polêmica surgiu em torno da imagem sacra, inclusive com discussões sobre o que fazer com ela. A princípio, ela seria encaminhada à diocese ou ao Museu Histórico. Um ano depois, porém, o colunista do Agora Bob Clementino revelou que a imagem estava no gabinete do então prefeito Vladimir Azevedo (PSDB). Ele publicou uma foto que mostrava a peça no local.

Esse fato chamou atenção do advogado Robervan Faria, que enviou um requerimento à Promotoria de Defesa do Patrimônio Histórico, Cultural e Turístico.

— A imagem não é do prefeito e deveria ter passado por minuciosa investigação em torno de sua origem e valor histórico. Até que se prove o contrário, pertence ao povo de Divinópolis, uma vez que foi achada nas águas do rio, o que não autoriza o prefeito a destinar a imagem a seu arbítrio pessoal — disse o advogado na justificativa.

O inquérito foi aberto em 4 de março de 2016 pelo por ordem do promotor Alessandro Garcia Silva, da Promotoria de Defesa do Patrimônio Histórico, Cultural e Turístico.

Em 25 de outubro do mesmo ano, o então secretário de Cultura, Bernardo Rodrigues, enviou uma justificativa à Procuradoria Municipal confirmando que a imagem estava exposta na antessala do gabinete do prefeito. Ele afirma que fez contato com a coordenação do Museu do Oratório, em Ouro Preto, que encaminhou solicitação ao Instituto Cultural Flávio Gutierrez para que se averiguasse relevância histórica e artística da pela.

— Como ainda não há posicionamento definitivo sobre a imagem, o Conselho Municipal do Patrimônio Histórico foi consultado para se definir a destinação da escultura, não havendo objeção para que a imagem continuasse exposta no paço municipal, onde permanece em segurança e boas condições de preservação, não obstante já ter sido encontrada em mau estado de conservação, bastante danificada, com quebras e rachaduras — disse o secretário à época.

Depois, a imagem depois foi levada para o Museu de Divinópolis, mantido pela Prefeitura.

 Conclusão 

Um estudo técnico feito na imagem a pedido do MPMG mostrou que não havia como saber ao certo quando e onde a imagem sacra foi produzida. Razão pela qual não restou o que fazer.

— Diante do exposto, promovo o arquivamento do presente inquérito civil — determinou o promotor Alessandro Garcia Silva em documento assinado no dia 26 de janeiro deste ano. Essa notificação chegou ontem ao advogado Robervan Faria.

— O Ministério Público concluiu que a imagem tem sua importância cultural para Divinópolis. Mas ela está no museu, que continua fechado. É preciso reabrir aquele espaço, para que a população possa ter acesso a esse e tantos outros símbolos divinopolitanos — defende Robervan.

A Prefeitura informou que realiza um projeto para custo básico da restauração do sobrado onde funciona o Museu.

— O Instituto Estadual de Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (IEPHA) concedeu ao Município dois anos para início das obras de restauração, contando a partir de 2018 — explica.

 

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