Iludidos

Conheço bem os bastidores do poder. Assessorei vereadores presidentes da Câmara Municipal, prefeitos, deputados e até sindicalistas. Talvez por isso, não sei se me assusto com a ignorância ou se desconfio da intenção de alguns pré-candidatos a prefeito em 2020, que acreditam existir solução mágica para tirar a Prefeitura de Divinópolis da crise em que está metida. Ou ela paga em dia os salários dos servidores ou faz obras. As duas coisas, simultaneamente, não é possível.

 

Luz no fim do túnel

 

Está apagada a luz para solucionar em curto e médio prazo a crise administrativa que desabou sobre o Município. Em conversa com a maioria dos pré-candidatos a prefeito de Divinópolis, a saída que mais ouço é a de reduzir despesas, enquanto, a meu sentir, a solução é aumentar receitas. A estratégia de reduzir despesas já vem sendo executada na Prefeitura na gestão de Galileu (MDB), sem maior repercussão.

Em outubro de 2018, foi apresentado um relatório de gestão apontando a redução de despesas de 2017. Quando comparado com o exercício de 2016, constatou-se que a Prefeitura de Divinópolis economizou R$ 13,8 milhões, equivalente a 27,10%. E, ainda assim, atrasaram e parcelaram salários e pagamentos a fornecedores.

 

Só reduzir despesas não basta

 

A estratégia de encolher gastos tem uma limitação ao ser aplicada em uma administração municipal: ela só pode ser executada até onde não inviabiliza a capacidade da prefeitura de atender às demandas da população. Como mostrado, o governo Galileu apertou e muito o cinto para reduzir despesas e, apesar disso, o caos se instalou.

O que mais reforça minha tese de que redução de despesas não é suficiente para tirar a Prefeitura da crise é a declaração da secretária de Fazenda, Suzana Xavier, quando cobrada para diminuir o número de servidores contratados. Suzana simplesmente resumiu que exonerar 92 servidores de livre nomeação traria uma economia de R$ 2,5 milhões e que isso seria como “uma gota no oceano”. Ou seja, insignificante.

Diante disso, pré-candidatos, mudem o disco! Conter o número de servidores comissionados até ajuda, mas está longe de ser o remédio para a crise.

  

A quem interessa o impeachment de Galileu?

 

Hoje, 6, às 7h, após meses de investigações, o destino do prefeito Galileu começou a ser traçado na Câmara Municipal. Em minha opinião, um procedimento de cunho meramente político, já que as denúncias são insuficientes para justificar a sua cassação. Tal pedido de afastamento baseia-se em três denúncias:

 

- Galileu teria cometido crime de “renúncia de despesas”, tendo em vista que a Settrans adotou medidas de caráter educativo e pedagógico ao orientar os motoristas em vez de multá-los sumariamente;

 

- Governo deve ser impichado porque o procurador do Município usou a Tribuna Livre da Câmara Municipal, em horário de serviço, para defender o prefeito;

 

- Marrecogates.

Baseia-se no episódio em que Galileu é acusado de oferecer emprego a Marreco, sem que este precisasse trabalhar, assunto esse já apreciado e encerrado no judiciário. Portanto, já se trata de coisa julgada, não ensejando mais qualquer discussão a respeito. Vereadores insistirem nesse tema significaria apenas propósito de tumultuar e causar desgaste político inútil. Injustificável, pois!

 

Escutem o Edson

 

O vereador Edson Sousa (MDB), às vezes, fica “p da vida” com o que escrevo aqui nesta coluna sobre suas ações na Câmara. É que ele ainda não entendeu que fico aqui, atento às denúncias que são feitas na Tribuna da Casa e, felizmente ou infelizmente, ele é quem faz mais denúncias; principalmente entregando parceiros de mandato. Meses atrás, ele denunciou que existem vereadores na gaiola do prefeito e, por isso, eu perguntei: quais? Agora, na reunião ordinária de terça-feira, ele fez uma grave denúncia. Disse que tem gente na Casa que, embora ganhe um bom salário, paga taxa básica de IPTU. E de novo pergunto: quais são estas pessoas? Vereadores, assessores, servidores? Agora, o absurdo de tudo isso é o edil fazer estas denúncias, jogando todos na vala comum e ninguém cobrar dele os nomes.

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