Idoso encontrado em carro é 2ª vítima da chuva na cidade

Matheus Augusto

Em dois dias, duas mortes foram registradas em consequências das chuvas em Divinópolis. Coincidentemente, as duas ocorrências tiveram início na última sexta-feira, 24. Na primeira, uma idosa, de 81 anos, ficou presa nos escombros de sua casa, que desabou. Ela morreu na madrugada de segunda-feira, 27. No mesmo dia do acidente, um idoso, de 62 anos, seguiu para sua propriedade na roça, em Djalma Dutra, na zona rural de Divinópolis. Desde então, familiares o davam como desaparecido. Seu corpo foi encontrado ontem, sem vida.

Divinópolis

Com a estiagem, as consequências das chuvas do fim de semana começam a ser expostas. Além de canaletas destruídas e árvores caídas, vidas foram perdidas. Com a redução do volume de água na região, populares encontraram um veículo caído em um córrego. Dentro dele estava o corpo do idoso. Segundo informações de pessoas que moram ou passam pelo local, ele teria tentado atravessar uma ponte, parcialmente coberta pelo acúmulo de água das chuvas, e caído no córrego, onde o carro ficou submerso durante todo o fim de semana.

O Corpo de Bombeiros informou ter sido acionado por volta das 9h30 de ontem. Segundo os militares, o veículo com a vítima foi encontrada por pessoas que passavam pelo local.

— Foi necessário, para a retirada da referida vítima, o rebatimento parcial do teto do veículo, realizado por equipamento desencarcerador — informaram.

O corpo do idoso foi periciado pela Polícia Civil, encaminhado ao Serviço Municipal do Luto de Divinópolis e aguarda os laudos periciais. Foi aberto um inquérito policial que tem à frente a delegada Maria Gorete Rios.

1ª morte

Eram quase 14h de sexta-feira quando o imóvel onde morava um casal de idosos, ambos de Portugal, desabou. O homem, de 82 anos, percebeu que a residência estava prestes a cair e conseguiu sair pelos fundos. Sua esposa, de 81 anos, no entanto, não teve tempo suficiente e ficou presa, da cintura para baixo, nos escombros, e precisou ser retirada pelo Corpo de Bombeiros, que registrou um ferimento na perna. Inicialmente, ela foi transferida para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e, posteriormente, encaminhada para o Complexo de Saúde São João de Deus (CSSJD), onde permaneceu desde o dia do acidente.

A instituição confirmou sua morte na segunda-feira, indicando que a causa seria em razão de complicações do acidente.

Ao Agora, o gerente da Defesa Civil, Gilberto Gonçalves, declarou que as causas de ambas os casos estão sendo investigados. Segundo ele, as mortes não foram consequência direta apenas das chuvas, mas também de negligência. Gilberto contou que, no primeiro caso, o casal já havia sido notificado, há cerca de um ano, para deixar o local; sobre a segunda ocorrência, ele explicou que o motorista deveria ter parado o veículo em um local seguro e aguardado um momento de estiagem.

— Todos esses dois assuntos estão sendo apurados, investigados para informações mais seguras e concretas sobre as causas dos ocorridos — explicou.

No boletim Defesa Civil de Minas Gerais, divulgado às 18h de ontem, o órgão reconhece a mortes em Divinópolis, como duas das 52 vítimas fatais, até neste horário de ontem.

No limite

Conforme informou a Defesa Civil, a régua de controle de elevação do rio Itapecerica estava oscilando entre 68 e 70 centímetros durante o dia de ontem. A situação é considerada de alerta quando o volume de água ultrapassa um metro de altura. Quando esse nível é atingido, o órgão solicita a atenção da população ribeirinha, pois pode ocorrer o transbordamento de córregos.

— Nestes dois dias de estiagem, a água do rio escorreu bastante e os córregos já estão voltando ao seu nível normal. Agora, é a população ter precaução com o barro e a lama na hora de fazer a limpeza, porque pode haver algum tipo de doença ou animais peçonhentos que vieram com essa elevação das águas — orientou o gerente da Defesa Civil.

Gilberto contou também que o órgão continua no apoio à manutenção e limpeza dos locais afetados.

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