HSJD virou a página da crise, afirma promotor

 

Ricardo Welbert

O promotor de Justiça Gilmar Assis disse ontem, durante coletiva de imprensa no Hospital São João de Deus (HSJD), que a unidade de saúde saiu da crise financeira dois meses antes do esperado. De acordo com números apresentados pela superintendente Elis Regina Guimarães, as despesas aumentaram 23% de setembro de 2016 a agosto de 2017. Porém, as receitas cresceram mais: 87%. O motivo, segundo ela, por meio de renegociações de dívidas e cortes de gastos. A intervenção foi prorrogada por mais um ano.

O atendimento de pacientes por dia aumentou 44% no período. Já as cirurgias cresceram 41%. Em junho foi aberta uma sala para fazer endoscopias dentro do bloco cirúrgico, para dar vazão às cirurgias. No bloco obstetra, o hospital saiu de 302 para 304 partos. Consultas de pronto atendimento. Internações totais cresceram 38%.

— A ocupação do hospital de segunda a sexta-feira tem sido surpreendente, chegando às vezes a te 110% de ocupação, com a necessidade de abrirmos leitos extras — comemorou Elis.

A evolução econômica também foi detalhada. Segundo Elias, em alguns meses o hospital deixou de pagar contas de água e luz para negociar com fornecedores o pagamento de dívidas acumuladas, o que rende descontos de 15%.

— Em setembro de 2016, nós tínhamos de receitas, tanto de faturamento quanto de incentivos, de R$ 7.155.000,00. Hoje nós estamos com 13.470,00. Um aumento de 88% ou R$ 6 milhões. Ainda não é o limite. Nós podemos fazer mais — afirmou Elis. 

Para manter os números no azul, a superintendência explica que pretende melhorar a gestão e a ocupação do bloco, trazer médicos para operar convênios, abrir dez leitos de Centro de Terapia Intensiva (CTI) para convênios, dentre outras ações.

A previsão dela era de que o hospital atingiria o equilíbrio financeiro em outubro. Em agosto, os números já eram animadores. A instituição fechou o mês com cerca de R$ 7 milhões no azul. De setembro a agosto, a receita operacional aumentou 87%, contra um crescimento de despesa de 23%. E a meta era de conseguir resultados ainda melhores:

— É surpreendente a capacidade deste hospital — afirmou Elis.

Muitos desafios ainda existem. Atualmente o corpo clínico fecha os meses com défict médio de R$ 3,5 milhões. Porém, é um dos setores do hospital que mais crescem. A Sala Vermelha funciona bem no atendimento aos casos de alta complexidade.

O promotor Gilmar Mendes lembrou que está há um ano na presidência do inquérito civil público aberto pelo Ministério Público de Mina Gerais para acompanhar o hospital. Ele disse que na época a média de óbitos no HSJD era de 6,4 por dia. Atualmente está bem menor, garantiu. Ele também disse que um desafio jurídico que pode favorecer o hospital é a redução da judicialização da saúde.

 Renascimento

O primeiro semestre de 2016 foi marcado por angustiante crise na área de saúde local, com epicentro no HSJD. A assistência e os atendimentos especializados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) de Divinópolis e de 53 outros municípios da região foram bastante prejudicados. A Unidade de Pronto Atendimento (UPA) 24 horas teve acúmulo de demanda. Usuários entraram em conflito e houve muitas mortes na espera.

Em 26 de julho do ano passado a situação chegou aos limites com passos decisivos em uma nova tentativa de diminuir a crise do HSJD. A regra ela: ou mudava o que vinha sendo feito ou fechavam-se as portas. A Dictum, empresa que então administrava o hospital, aguardava o encerramento de seu contrato em setembro. O promotor Sérgio Gildin se afastou da fiscalização da gestão do hospital, dando lugar ao colega Gilmar de Assis. O hospital operava com uma dívida estimada em R$ 130 milhões e com um déficit mensal de R$ 1,5 milhão.

Diante da situação, uma comissão interventora assumiu o empreendimento para programar novo plano de ação, ao lado Ministério Público de Minas Gerais e com representantes da Secretaria de Estado de Saúde, do Município, do Conselho Curador, dos secretários municipais dos 54 municípios da região, além do Conselho Regional de Medicina do Ministério da Saúde.

A comissão não se responsabilizaria pela gestão do hospital, mas por apresentar diretrizes, objetivos, perfil assistencial e equilíbrio econômico para concretização de nova administração.

Dois dias após o anúncio da nova gestão, Divinópolis recebeu a visita do ministro da Saúde, Ricardo Barros. A autoridade veio inaugurar um equipamento para exames, o acelerador linear, adquirido para o Hospital do Câncer. Reuniu-se com lideranças políticas e representantes da área da saúde de toda região e ouviu as demandas e dificuldades enfrentadas pelo HSDJ.

O frei Augusto Vieira, da Ordem Hospitaleira, anunciou a retirada da Ordem do Conselho Curador para permitir maior participação da sociedade organizada e pediu que o ministro trouxesse esperança para o hospital. Barros afirmou que o governo federal não deixaria o Hospital São João de Deus fechar e que em agosto do mesmo ano haveria uma liberação de recursos.

 

 

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