Hospital Regional completa dois anos de abandono

Ricardo Welbert 

O completo abandono das obras do Hospital Regional em Divinópolis está prestes a completar dois anos. Foi no fim de abril de 2016 que os operários que desde junho de 2010 construíam o imóvel de 36 mil metros quadrados e orçado em R$ 47,8 milhões foram embora pela última vez, após o fim do contrato do Governo de Minas com a construtora Marco XX.

De acordo com o Governo de Minas, único responsável por investir dinheiro no empreendimento, o problema é a falta de recursos e seriam necessários R$ 99 milhões para concluir os 40% que ainda faltam para fazer funcionar a unidade destinada a receber pacientes em situações de urgência e emergência e oferecer cirurgias de média e alta complexidade e partos de alto risco a 1,2 milhões de habitantes de 55 municípios do Centro-Oeste mineiro.

No dia 6 de junho de 2017, durante a inauguração do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) no Centro-Oeste, o então secretário de Estado de Saúde, Sávio Souza Cruz, afirmou que a conclusão não é prioridade do Governo de Minas.

— Os recursos estão absolutamente escassos e nós estamos fazendo um grande esforço para garantir o funcionamento do São João de Deus, que hoje tem mais prioridade de funcionamento e investimento do que o hospital público — disse.

Discurso repetido pelo governador Fernando Pimentel (PT) em 20 de julho.

— Temos um problema sério na área da saúde pública no Brasil inteiro, após a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) não ter sido renovada. Em Divinópolis, eu estou trabalhando para reformular a gestão do HSJD e tentar retomar a obra do regional, que eu sei que é importante para a região. Não temos uma previsão de quando, mas pretendemos fazer isso o mais rápido possível — disse o governador. 

Dificuldade que só aumenta, pois a defasagem da planilha de custos faz com que a previsão de investimento necessário aumente.

O Município não tem responsabilidade financeira no Hospital Regional. A Prefeitura apenas doou o terreno e providenciou o acesso ao local. Mesmo assim, a Prefeitura tentou contribuir abrindo licitação para contratar uma empresa capaz de executar a segunda etapa da obra.

Porém, conforme o Agora informou em julho do ano passado, a licitação foi suspensa. O governo municipal alegou defasagem na planilha de custos, cujos orçamentos foram feitos em 2015. Também diz que foram detectadas discordâncias em atestados técnicos.

— A administração municipal, diante dos levantamentos apresentados pela área técnica da Usina de Projetos, se viu legalmente forçada a tomar tal decisão. O Município ainda busca de todas as maneiras encontrar uma solução para essa situação — afirmou o então secretário de Saúde, Rogério Barbieri Sichieri.

A reportagem perguntou ontem se o prefeito Galileu Machado (PMDB) pretende contribuir de alguma outra forma. Ainda não houve retorno. 

Elefante branco

Uma placa instalada em frente à obra informa um custo total de R$ 47,8 milhões. A Prefeitura afirma que já foram investidos cerca de R$ 60 milhões e que o projeto total prevê gastos de R$ 90 milhões (53,1% a mais).

O anúncio também promete a execução da obra em 24 meses. Quase oito anos depois, lá se vão 96 meses.

A placa ainda informa que 500 mil pessoas seriam beneficiadas pelo Hospital Regional.

Cronologia do abandono 

18 de maio de 2017 – A manchete “Estado decide não retomar obras do Hospital Regional neste ano” antecipa o que secretário estadual de Saúde, Sávio Souza Cruz, viria a dizer no dia 6 de junho, durante a inauguração do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) no Centro-Oeste: a conclusão do Hospital Regional não é prioridade do Governo de Minas.

 7 de junho de 2017 – “Pimentel inaugura Samu com discurso repetido”, diz a manchete de 7 de junho. A reportagem registrou entre travessões a afirmação feita pelo secretário de que o Hospital Regional não é prioridade para governo.

— Os recursos estão absolutamente escassos e nós estamos fazendo um grande esforço para garantir o funcionamento do São João de Deus, que hoje tem mais prioridade de funcionamento e investimento do que o hospital público — disse.

 26 de julho de 2017 – A Prefeitura de Divinópolis anula a licitação aberta para contratar uma empresa capaz de executar a segunda etapa da construção.

 7 de outubro de 2017 – O vice-prefeito de Divinópolis, Rinaldo Valério (PV), cita duas possíveis saídas para a crise: gestão compartilhada entre Município, Estado e União ou federalização. Ele disse acreditar mais na segunda, que transformaria o elefante branco em um hospital universitário federal. Algumas fundações teriam manifestado interesse em terminar a obra. Ainda não há nada definido sobre isso.

 28 de novembro de 2017 – Medo de invasão à sede do Hospital Regional faz a Prefeitura renovar o contrato com a empresa de segurança que protege. Investimento de R$ 40 mil mensais.

 

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