Homenagem Dia da Mulher: ícone da educação

 

Ana Paula Nery de Faria 

Um país que não valoriza sua educação e os profissionais que nela atuam não se preocupa com seu desenvolvimento e com a qualidade de vida de sua população.  Esse jargão, que sabemos ser verdadeiro, não fez com que uma das maiores educadoras de Divinópolis se doasse e se preocupasse com o futuro dos jovens de nossa Princesa do Oeste.

A professora Dilza Eugênia de Sousa Nery nasceu em Vai e Volta, município de Tarumirim/MG, em 6 de novembro de 1945. Com pouco mais de 3 anos, transferiu-se com seus pais para a capital mineira, à procura de melhores condições de vida.

Iniciou seus estudos aos 7 anos, em 1952, no Grupo Escolar Henrique Dinis, no bairro Santa Efigênia. Em 1955, teve de parar, pois a mulher na época tinha de ajudar em casa. E não era considerado importante o estudo para mulheres.

Devido a isso, ficou sem estudar por três anos. Só conseguiu ingressar novamente na escola após uma conversa com aquela que se tornou sua sogra, D. Aparecida Magalhães Faria. A então professora primária conseguiu fazer com que senhor Sebastião mudasse de opinião.

Voltou a estudar em 1958 e por lá permaneceu até o seu último ano do Curso Normal, em 1966.

Já nessa época, Dilza havia se casado com o então militar Pedro Magalhães de Faria. Desta união, Dilza teve sete filhos e, mesmo com tantas gravidezes, ela não parou de pensar no que mais gostava, a educação.

Em 1967, instalou-se em Divinópolis, trazida por seu marido, que havia sido transferido pela Polícia Militar. Iniciou seus trabalhos em Divinópolis no ano de 1968, no Grupo Escolar Padre Matias Lobato e no Instituto Nossa Senhora do Sagrado Coração, onde permaneceu até ser aprovada com louvor no concurso público do estado de Minas Gerais para inspetora escolar. Apesar de não ter muito tempo para se dedicar aos estudos, sua inteligência e garra romperam esse limite.

Em 1972, mesmo grávida e mãe na época de três pequenos, formou-se na terceira turma do curso de Pedagogia da Fundação Educacional de Divinópolis (Funedi).

Paralelamente, junto ao seu marido, iniciou sua participação no Lions Clube Divinópolis Candidés, onde permaneceu até o final de 1980 (sendo presidente deste clube nos últimos 2 anos).

Mesmo antes de sua formatura, havia iniciado o trabalho de tutoria, entre seus colegas. Por lá permaneceu por 27 anos, tornando-se uma referência para seus colegas e alunos.

Nestes 27 anos dentro da Fundação Educacional de Divinópolis, ela foi professora, diretora e por 13 anos presidente do Inesp, o que não a impedia de continuar lecionando.

No estado, trabalhou por 25 anos, até se aposentar como inspetora escolar em várias cidades do estado.

Além de todos os seus compromissos, em 1979 ingressou no curso de pós-graduação em sociologia no Rio de Janeiro.

As várias atividades exercidas por Dilza não fizeram com que ela deixasse de acompanhar seu marido em grupos de jovens, onde eram palestrantes, e em festas, nas quais inúmeras vezes foi Glamour Girl e Mulher mais elegante do ano.

Por oito anos, Dilza se dividia entre a capital mineira e seus afazeres em Divinópolis, pois ela morava com sua família em BH, mas continuava à frente do Inesp, onde lutou pela estadualização da atual Universidade do Estado de Minas Gerais (Uemg) no final dos anos 1980 e início de 1990.

Dilza era vista como uma mulher à frente de seu tempo. Considerava que obstáculos eram para ser vencidos, numa época que a mulher não tinha vez.

Ela, com certeza, inspirou a todos que a conheceram, como uma pessoa de grande coração e incansável luta pela educação, respeitada por todos que já trabalharam com ela.

Foi paraninfa das turmas que lecionava em todos os anos que deu aula.

Prematuramente, Dilza nos deixou no dia 11 de setembro de 1993, deixando órfãos não só os seus filhos, mas toda uma classe estudantil e aqueles que com ela conviveram.

Com apenas 48 anos de vida a completar, Dilza se destacou por ser íntegra, responsável, inteligente, sapiente, mãe zelosa e boa amiga. Merece ser lembrada, nesse Dia Internacional das Mulheres, como um ícone da educação na cidade.

 

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