Higiene

Amnysinho Rachid

 Desde bem pequenos somos ensinados a nos cuidar. A higiene pessoal é o início de tudo. Quem não se lembra das famosas palavras da mãe: "Lava as mãos, lava o rosto, toma o banho, escova os dentes, volta e lava de novo, já lavou as mãos? Já está limpo, olha que vou verificar, lava debaixo dos braços, olha o "cecê", olha o chulé, volta e lava tudo de novo que vou olhar"...

      Sempre gostei muito de tomar banho, acho que por ser nadador sempre adorei água, até hoje tomo na média de três banhos por dia.

     Interessante que este costume é cultural. Cada povo tem sua maneira de fazer sua higiene, acredito que por nascer neste delicioso país tropical adoramos água.

      Lembro muito da minha avó Maria, que era a típica brasileira, mulher guerreira, batalhadora e não tinha medo do serviço. Pau para toda obra, adorava água. Lembro que, ao lavar roupa e estender no quintal, no fim sempre acabava despejando um balde de água na cabeça e morrendo de tanto rir.

     Já o meu avó Rachid, libanês muito bravo e sistemático, andava impecável. Sempre de terno e gravata, nunca suava, acredito que já é da sua origem, não achava que tinha que tomar banho todo dia. Aí começava a briga minha avó, que falava: "Alfredo "tomá" banho, Alfredo "tomá" banho". E logo ele dizia: “Eu tô fedendo, Mizica, eu tô fedendo"...

    O homem vem com o passar do tempo evoluindo e notando como é importante a higiene. Em tempos de pandemia, nos vimos prontos à melhor nossa maneira de viver, aprendemos a lavar mais vezes as mãos e o uso do álcool em gel.

     A história nos mostra que a higiene pessoal melhorou muito com a evolução humana. Para se ter uma ideia, o palácio de Versailles, em Paris, não tem banheiros, os excrementos humanos eram jogados pelas janelas. Não existia papel higiênico, desodorantes, perfumes, escovas de dentes e tudo mais ligado à limpeza pessoal. Dizem que as saias das mulheres  longas e com muitos panos eram propositalmente para inibir o odor vindo das partes íntimas. Não existia o hábito de tomar banho devido ao frio e à falta de água encanada, por isso era comum o uso do abanador. Os nobres tinham lacaios para abaná-los, dizem que os belos jardins eram usados como vasos sanitários. Interessante também que a maioria dos casamentos era realizada a partir de maio, pois começava o verão, então, tempo de tomar banho e o cheiro das pessoas ser ainda tolerável. Dizem que o costume das noivas de levar o buquê de flores era para melhorar o mal cheiro, daí ficou o mês de maio como mês das noivas.

    Os banhos eram tomados numa única tina, tendo direito de tomar o primeiro banho o chefe da família. Naquela época, era comum as pessoas morrerem por envenenamento, hoje sabemos que na verdade era por falta de higiene. Na época usava-se copos de estanho para beber cerveja e uísque, esta combinação, às vezes, deixava o indivíduo no chão, numa espécie de narcolepsia induzida pela mistura da bebida alcoólica com óxido de estanho. O sujeito era dado como morto e colocado na mesa e vigiado para ver se estava morto mesmo, nascendo aí o famoso velório.

     Ainda bem que evoluímos e, com certeza, daremos conta de superar esta pandemia e sair bem melhor. Acredito que a maneira de fazer a higiene veio para ficar, lave as mãos, use álcool em gel, use máscara e só saia de casa se precisar muito.

     E nós continuamos aqui, na TOK EMPREENDIMENTOS, torcendo por dias melhores.

rachidmendes@hotmail.com

       

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