Guerra Fria?

Editorial

A Câmara de Divinópolis se reuniu na última semana de forma extraordinária para a votação de dois projetos de lei. A primeira proposta discutida e votada pelos vereadores foi sobre o retorno da realização das reuniões ordinárias duas vezes por semana, às 14h, como era de praxe antes da pandemia da covid-19. Apesar de ainda não se poder avaliar a atuação da nova legislatura, o debate entre os parlamentares já deu indícios do que a população divinopolitana pode esperar. Diversos discursos chamaram a atenção. O primeiro deles foi o do vereador Rodrigo Kaboja (PSD), que em alto e bom som disse que o discurso de “velha e nova política” tinha acabado e que ali havia 17 vereadores eleitos pelo povo, que os parlamentares reeleitos não iriam mais deixar os novatos “montarem de cavalinho”, revelando que  permitiram apenas do deputado estadual Cleitinho Azevedo (CDN), quando eleito vereador de Divinópolis. 

A fala de Kaboja serviu para acender o alerta vermelho: teremos uma “guerra fria” nesta legislatura? Na edição de quinta-feira, este espaço abordou justamente o que a população espera dos vereadores. Mas, infelizmente, pelo tom dado nessa reunião, pode-se perceber que o Poder Legislativo oferecerá o mais do mesmo para o povo divinopolitano. Se isto se confirmar, a política de Divinópolis será guiada mais uma vez pelo populismo e pelo individualismo. Parece que os nobres edis ainda não estão prontos para defender os interesses da cidade, da população. Deixam transparecer de forma clara que eles ainda precisam do show, das curtidas, dos compartilhamentos e da interminável disputa de quem tem o melhor discurso. O mais triste disso tudo é saber que, enquanto os parlamentares iniciam uma guerra fria na Câmara e continuam a disputa de quem é mais “blogueiro”, a cidade continua precisando de mais atuação técnica e menos teatro, menos guerra e mais trabalho. Resumindo, é isso que Divinópolis precisa. Afinal, de nada adianta rachar a Câmara – como aconteceu na última legislatura – entre “nova” e “velha” política. 

Boa parte da população já viu que esse discurso de “renovação” já não cola mais e todo mundo aguarda, ansiosamente, prática. O povo já entendeu também que “nova” e “velha” política não existe também. O que existe de fato é a política e bons gestores, que a usam para que sejam feitas melhorias na cidade, em diversos setores. A população já entendeu também que essa discussão não leva ninguém a nada e muito menos traz desenvolvimento para Divinópolis. Ainda na linha do que esperar dos vereadores, é trabalho, responsabilidade e honestidade. Aguarda-se também que eles não sejam usados como “cavalinho”, pois, quando isso é dito por um parlamentar, a sensação que se tem é que os vereadores foram usados para um plano maior, que não tinha como objetivo o povo, mas, sim, o individualismo. Essa frase dá a entender que Divinópolis continua nos últimos planos daqueles que são eleitos para representá-la. E que, ao “declarar” uma guerra fria no Poder Legislativo, passa-se a sensação de que a cidade viverá mais quatro anos obscuros, andando em círculos. Nada mais do que isso. 

 

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