Grupo Oficina da Rima lança fanzine em Divinópolis

Da Redação

“Talvez eu seja autoritário, talvez não passe de um otário. Mas, é muito autoritário querer ser escutado?” (Vitor Luiz, 17 anos)

O trecho do poema, escrito pelo jovem Vitor Luiz, reflete com evidência que o jovem quer ser ouvido. Ele quer participar da vida comunitária de alguma forma, mesmo que seja alertando a outros jovens, boa parte alienados pela tecnologia, que a juventude precisa se preparar para assumir o controle como forma de transformar o Brasil em um país onde todos tenham voz, que possam ser ouvidos sem discriminação de cor, raça, credo e gênero.

Vitor Luiz é um dos 25 integrantes do grupo Oficina da Rima, que reúne jovens de diferentes bairros de Divinópolis. Inspirados pela cultura hip-hop, esses jovens encontraram na poesia uma forma de exprimir sentimentos que não são apenas deles. A poesia alimenta a alma e o sonho desses jovens, que gritam por todos que se calam, que se colocam em movimento e se posicionam perante a sociedade.

Oficina da Rima

No início eram apenas meninas, como conta Igor Dias Rodrigues, 24 anos, um dos “veteranos” da turma. “Rima para Mulheres”, o grupo que deu origem à Oficina da Rima, era formado somente por meninas, que praticamente quebraram um tabu ao se aventurar nas rimas de rua, inspiradas na cultura hip-hop, passando pelo rap, mas, sobretudo, na poesia que relata as durezas da vida, sem perder a ternura, como diz o poema de Madu, uma das integrantes do grupo: “A arte tem o poder de salvar, pode até curar nossos corações amargurados”.

O grupo Rima para Mulheres, há mais de três anos, começou a mudar. Primeiro vieram alguns garotos, enturmaram com as meninas e também mostraram que são bons de rima. Depois vieram outros e mais outros, e hoje, são 25 jovens talentosos que formam a Oficina da Rima.

O grupo mostra sua arte nas ruas, realizando toda sexta-feira, em frente ao camelódromo, a “Batalha das Rimas”. São horas e horas de improviso, com boa poesia, com manifestações de liberdade, contra o autoritarismo e em defesa de seus sonhos.

Fanzine

A poesia desses jovens chegou a um servidor público, o professor Cláudio Guadalupe, lotado na Biblioteca Pública Ataliba Lago. Um dos responsáveis pela organização da “Noite da Poesia”, que busca dar espaço para os poetas divinopolitanos, Guadalupe se entusiasmou com a produção poética dos meninos da Oficina da Rima. Acabou apadrinhando a turma e está buscando formas de divulgar a sua arte e inseri-los no contexto acadêmico da cidade.

— Eles fazem coisas muito boas, são surpreendentes e escrevem exatamente o que sentem — relata com entusiasmo Cláudio Guadalupe.

A primeira forma de divulgação do grupo, além das apresentações públicas, começará a chegar à população neste fim de semana.

Na próxima sexta-feira, 8, a partir das 16h no quarteirão fechado da rua São Paulo (em frente à Receita Federal), o grupo lançará o seu fanzine, contendo poemas da maioria dos integrantes da oficina. Fanzine é uma publicação não profissional e não oficial, produzida por entusiastas de uma cultura particular para o prazer de outros que compartilham seu interesse. E é claro que a festa de lançamento será marcada por muitas batalhas de rima, acompanhadas da boa poesia que impulsiona esses jovens em busca do seu lugar na sociedade.

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