Greve Geral é hoje

Matheus Augusto

Após duas manifestações em defesa da Educação, acontece hoje, em diversas partes do país, uma greve geral. Em Divinópolis, o Movimento Unificado de Divinópolis (MDU) marcou a concentração para as 15h, na praça da Catedral. O protesto tem como principal pauta o posicionamento contra a reforma da Previdência.

Reforma

Ao Agora, o vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores Municipais de Divinópolis e Região Centro-Oeste (Sintram), Wellington Silva, afirmou que a paralisação é fundamental para a rejeição da atual proposta previdenciária.

— Em Divinópolis não é diferente. Nós mobilizamos os trabalhadores, e o Sintram, especificamente, fez um trabalho de panfletagem, convocando todos os servidores públicos para aderirem a essa paralisação e repudiar essa proposta do governo federal. A importância de parar é fundamental neste sentido, para a gente tentar barrar esse projeto do governo — pontua Wellington.    

O vice-presidente do Sintram ainda ressaltou que o Governo vende a ideia de que os servidores públicos são privilegiados, incentivando uma reação negativa contra a categoria.

— Quando o Governo fala que o servidor público é privilegiado, mais uma vez, ele mente. Como que um professor, um gari, o funcionário de uma Prefeitura é privilegiado? Não existe privilégio nesta área do serviço público. (...) Esse é um governo, além de todos os outros pontos negativos, covarde e mentiroso, que joga a população contra a categoria dos servidores públicos, no intuito de convencer o povo de que é necessário fazer a reforma — afirmou.

Pautas locais

O movimento, segundo o diretor do Sindicato Sindicato de Trabalhadores da Rede Municipal de Educação (Sintemmd), Rodrigo Rodrigues Ferreira, também irá abordar pautas municipais.

— Essa é uma greve de cunho nacional contra a reforma da Previdência, como principal pano de fundo, e nós estamos aproveitando também para apresentar algumas pautas locais. No nosso caso, do Sintemmd, nós temos feito um protesto contra a retenção de verbas do Governo Estadual com o Município, que ocasiona a falta de pagamento dos professores e dos trabalhadores da educação — explica Rodrigo.

Privilégios

De acordo com o vice-presidente do Sintram, a reforma da Previdência proposta irá manter os privilégios de determinadas classes.

— Embora o governo faça propaganda que é para sanar as dívidas da Administração e combater os privilégios, nós entendemos que é uma falácia, que nada disso é verdade. Uma vez que a proposta, em si, não acaba com os privilégios. Aquela classe, a dos políticos, a cúpula dos militares, da marinha, aeronáutica, continua a mesma e também do poder judiciário, que mantém as mordomias. Então, não existe combate ao privilégio — afirma.

Fim da aposentadoria

Wellington destaca também que o novo sistema de previdência cria condições que dificultam a aposentadoria.

— É uma reforma também que ataca, além dos servidores públicos, toda a população brasileira, uma vez que aumenta o tempo de contribuição. O trabalhador passa a ter que contribuir 40 anos ininterruptos para poder conseguir a aposentadoria integral. E, no mínimo, 20 anos para ele ter 60% da média do primeiro salário até o último. Então, é uma reforma da Previdência que é, realmente, para acabar com o direito de aposentar — destaca.

Pressão

Para o diretor do Sintemmd, Rodrigo Rodrigues, esta é uma oportunidade dos cidadãos expressarem suas insatisfações com a reforma.

— Todo movimento de rua que tem sido realizado, tem mobilizado diretamente os deputados e parlamentares, de uma maneira geral, e até mesmo o governo, em relação às propostas que têm sido feitas. É o momento em que a população pode ter uma resposta ou, pelo menos, um canal de diálogo com o governo para dizer com o que está satisfeita e com o que está insatisfeita — destacou.

De acordo com o diretor, as classes mais pobres tendem a sofrer o maior impacto, caso a reforma da Previdência seja aprovada.

— Desta maneira, a população em geral, não apenas os trabalhadores, tem se manifestado [contra a reforma] através do abaixo-assinado que nós estamos coletando na rua São Paulo. As pessoas estão dizendo que estão insatisfeitas com essa proposta, que vem a prejudicar, em muitas maneiras, o direito de se aposentar, principalmente dos mais pobres — destacou.

Mudanças

O parecer da reforma da Previdência começou a ser lido ontem para a Comissão Especial da Câmara. Dentre as mudanças apresentadas pelo relator, Samuel Moreira (PSDB-SP), está o aumento do tempo mínimo de contribuição para homens, de 15 para 20 anos. Tal medida é válida apenas para os trabalhadores urbanos. Para mulheres, o tempo de contribuição exigido continua sendo de 15 anos.

Outra mudança no texto lido diz respeito à idade mínima de aposentadoria para professoras, que foi reduzido de 60 para 57 anos. As mudanças no Benefício de Prestação Continuada (BPC) foram excluídas, bem como as mudanças no abono salarial.

A expectativa, de acordo com o relator é de que, apesar das alterações no projeto enviado pelo Governo, a economia chegue a R$ 913,4 bilhões em dez anos. Além disso, neste mesmo período, são esperados R$ 217 bilhões em receitas.

Protesto

Na quarta-feira, 5, os sindicalistas instalaram uma tenda no quarteirão fechado da rua São Paulo. Integrantes dos movimentos estão no local para orientar e esclarecer dúvidas da população sobre “os retrocessos da reforma da Previdência”, segundo o MUD. Também estão sendo recolhidas assinaturas para um abaixo assinado em defesa do direito à aposentadoria, que será encaminhado ao presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM).

As ações do sindicato também envolvem a convocação dos trabalhadores, fazendo uso de um carro de som pelas ruas da cidade. Outra medida tem sido a panfletagem em portas de fábricas e indústrias. 

 

 

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