Greve estadual da Educação não deve afetar Divinópolis

Matheus Augusto

Em Minas Gerais, o primeiro dia de aula dos alunos da rede estadual aconteceu como previsto. No entanto, a expectativa para hoje é de greve dos servidores da Educação. Em assembleia no último dia 5, o Sindicato Únicos dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG) decidiu pela paralisação das atividades. Em Divinópolis, o sindicato local ainda aguarda o posicionamento das direções de escolas sobre a adesão ou não ao movimento.

Local

Ao Agora, a diretora de Comunicação do sindicato, Maria Catarina Laborê, explicou que, até o momento, nenhuma escola na cidade manifestou adesão à greve estadual.

— Acredito que amanhã [hoje] será um dia normal. Neste momento, as escolas que iriam aderir já deveriam ter se posicionado perante o sindicato — declarou.

Apesar da previsão de um segundo dia de aulas normal, o sindicato continua o diálogo com as escolas e os educadores sobre os motivos que levaram à paralisação.

— Nos dias 6 e 7, visitamos quatro escolas. No dia 7, acompanhamos o processo de designação e conversamos com a categoria fora das escolas. Hoje [ontem] também estamos visitando mais escolas. O ápice disso será o dia 13 de fevereiro, quando ocorre nossa assembleia municipal. É importantíssimo que cada escola apresente o que foi discutido, qual será o direcionamento das escolas em Divinópolis, que será realizada às 17h30, no Curso Opção. É onde a gente aguarda o retorno da categoria — convocou.

Sobre as pautas dos servidores, a diretora de Comunicação do sindicato na cidade explicou que as demandas vão desde a normalização das matrículas até as questões salariais. Maria Cataria disse também que os educadores nunca se depararam com “um momento tão complexo como este da Educação, em Minas Gerais”.

— É todo o contexto de retirada de direitos, de total desprezo pela Educação, em Minas Gerais — destaca.

Matriculado, sem vagas

Uma das críticas do sindicato ao governo do Estado é o processo de matrícula, pela primeira vez, feito online. Segundo a diretora, o novo sistema, considerado “inovador”, apresentou falhas que, mesmo com o início das aulas na rede estadual, ainda não foram solucionadas.

— A matrícula online foi um desastre. As escolas estão com filas. Eu vim de uma escola agora e a fila de pais está lá. O nome da criança saiu para uma escola na primeira rodada, mas a escola diz que não tem vaga. Estão em desespero. Pela primeira vez, tem hora que a gente até se esquece de falar da nossa questão prioritária, que sempre foi uma das prioridades, que é o salário, devido a essas circunstâncias que estão acontecendo — argumenta.

MP pede revogação

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) protocolou ontem uma recomendação à Secretaria de Estado de Educação (SEE-MG). O documento solicita ao órgão a revogação da decisão de que o processo informatizado seja o “único meio de acesso à matrícula escolar”. A Coordenadoria Estadual de Defesa da Educação (Proeduc) do MPMG considera “grave risco de dano ao exercício regular do direito à educação provocado pela mudança estrutural da metodologia previamente utilizada, sem que houvesse tempo hábil ao esclarecimento da comunidade escolar e ao aperfeiçoamento das funcionalidades do sistema”.

A secretaria tem cinco dias para responder o pedido.

Pontos

Outras críticas são direcionadas ao Instituto de Previdência dos Servidores do Estado de Minas Gerais (Ipsemg) e ao processo de designações, pois, segundo Maria Catarina, as informações eram enviadas de última hora aos educadores.

— O processo de designação ainda continua muito duro, muito penoso. O governo mandava muitas informações em tempo recorde. Tem também a questão do Ipsemg, estamos com atendimento precário, e corre o risco de acabar devido ao governo tornar obrigatório o credenciamento jurídico — relata.

Caso alguma escola entre em greve, a diretora de Comunicação explica que os rumos do movimento dependem do avanço das negociações com o governo.

— Sempre depende da contraproposta do governo. Dia 14 de fevereiro nós teremos outra assembleia estadual. A gente espera que, até lá, o governo comece a pensar em como poderá negociar conosco tantas pautas. Mas, neste momento, principalmente a questão salarial é importantíssima, uma vez que ele [Romeu Zema (Novo)] anunciou o reajuste para a Segurança, demonstrando claramente uma divisão, um desprezo total pela Educação, mais de 40% dos educadores ainda não receberam seu 13º — finaliza.

Minas Gerais

O sindicato estadual também aponta outros problemas, como a fusão de turmas feita pelo governo em agosto do ano passado, o que resultou no fechamento de salas do ensino médio e fundamental em mais de 200 escolas de Minas. Com isso, o sindicato denuncia dificuldades como a superlotação e demissão de professores. Além disso, a entidade conta que, em outubro de 2019, uma decisão governamental impediu a abertura de novas turmas do 1º ano do fundamental, forçando pais a matricularem os filhos na rede municipal.

Por fim, o sindicato cita a municipalização de escolas, o salário dos professores (“pela lei, profissionais da área devem receber pelo menos R$ 2.886,24, mas Minas paga R$ 2.135,64”) e a redução no número de matrículas (de 1,860 milhão para 1,627 milhão).

— A burocracia criada pelo governo Zema tende a diminuir o número de alunos nas escolas. Até o momento, a secretaria matriculou 233 mil estudantes a menos que em 2019 — detalha.

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