Greve da Educação só será interrompida após salários pagos

Maria Tereza Oliveira

A Educação tem sido o assunto mais debatido na cidade nos últimos dias. Com salários atrasados, os professores da rede municipal entraram em greve geral na última sexta, 9, mas a adesão de 100% das escolas começou ontem.

A causa da greve é o atraso dos salários e o parcelamento dos mesmos. A situação vem se arrastando por meses. Em setembro, os professores adotaram a operação “Tartaruga” durante um tempo, mas depois normalizaram os trabalhos.

Entretanto, visto que a situação não se resolveu, na semana passada eles não só voltaram com a operação, como também fizeram greve geral.

A greve inicialmente estava marcada para acontecer durante 120 dias. Ela é consequência dos atrasos dos repasses do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) do Estado para o Município.

Professores

Durante as reuniões com a presença da categoria, os professores sempre frisaram que a greve era para que os salários fossem colocados em dia. Alguns revelaram que estão passando por dificuldades financeiras, devido à situação.

O diretor de comunicação do Sindicato dos Trabalhadores Municipais de Divinópolis (Sintemmd), Gleidson Rogério de Araújo, revelou com exclusividade ao Agora como tem sido a greve.

— O que nos preocupa é a Administração atrasar nossos salários, que é direito constitucional, e ainda propor alterações nas leis que regem a carreira do funcionalismo público — destacou.

As alterações estariam em documento mandado pela Prefeitura para os servidores da educação. Dentre as mudanças propostas, os servidores concursados poderiam ser “reaproveitados” em outros cargos. Além disso, de acordo com Gleidson as alterações visam cortes de benefícios existentes hoje.

O Sintemmd também reclama da falta de contato com a Administração.

— A Prefeitura não nos convocou para nenhuma outra reunião após o dia 19 do mês passado. O único posicionamento foi um ofício com propostas de alterações de leis que afetam a carreira dos servidores — revelou.

Gleidson afirma que, ao contrário do que foi anteriormente divulgado, a greve irá perdurar até que seja quitados todos os salários em atraso. Ou seja, caso sejam postos em dia antes do período de 120 dias, ela será interrompida. Por outro lado, se após esse período os servidores não forem pagos, ela se estenderá.

Consequências

Os salários atrasados, assim como em caso da greve se estender pode acarretar em desvantagens para os alunos. A principal seria a transição dos alunos que vão sair do Ensino Fundamental para o Ensino Médio.

O problema é que nas escolas municipais não tem o 2º grau e, os alunos do 9º ano, irão mudar de rede de ensino: Estadual, particular ou Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (Cefet).

Isso diminui as chances destes alunos conseguirem ingressar no Cefet, por exemplo, já que mesmo sendo aprovados, eles não teriam concluído o Ensino Fundamental.

Com isso, os alunos temem perder o próximo ano escolar.

Programação

Mesmo sem darem aulas, os profissionais não estão de folga. A categoria tem organizado atividades.

Ontem os professores realizaram um ato na porta da Câmara e participaram da audiência pública realizada no mesmo local.

Hoje eles se reúnem para estudarem as propostas enviadas pela Prefeitura sobre o plano de carreira.

Amanhã eles participam de manifestação no comércio. Na próxima segunda, 19, a Educação se reúne para uma assembleia de avaliação do movimento.

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