Gravações: obras do PAC estão no centro de denúncias feitas por ex-aliado de Galileu

 

Pollyanna Martins 

Após entregar vários áudios de gravações de supostas ligações sobre nomeação de cargo na Prefeitura que envolveriam o prefeito de Divinópolis, Galileu Machado (MDB) e o editor do blog “Divinews”, Geraldo Passos,  Marcelo Máximo de Morais Fernandes (mais conhecido como Marcelo Marreco), ex-aliado do chefe do Executivo, afirmou que irregularidades nas obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) o levaram a fazer a denúncia.

Na última terça-feira, 24, Marcelo usou a tribuna da Câmara durante reunião ordinária e entregou uma cópia de um CD com as supostas ligações nas quais, conforme afirma, negocia com Galileu sobre sua nomeação à Prefeitura.

Na quarta-feira, 25, o ex-aliado de Galileu procurou o Agora e entregou mais três gravações, nas quais ele supostamente conversa com o editor do “Divinews” e os dois falam sobre o decreto de sua nomeação, que já estaria pronto, o salário do cargo ao qual Marcelo seria designado e também sobre o ex-assessor especial de governo, Fausto Barros.

O ex-aliado do prefeito acompanhou a reunião ordinária de ontem. Ao Agora, ele afirmou que irregularidades dos programas PAC e também Pró-Transporte o fizeram divulgar as gravações.

Marcelo relembrou que em 2009, durante a primeira gestão de Vladimir Azevedo (PSDB), denunciou ao Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) irregularidades no PAC. De acordo com o ex-aliado de Galileu, a então promotora responsável pela investigação foi transferida para outra cidade e o inquérito civil ficou parado.

Com isso, Marcelo voltou a denunciar as fraudes no programa em 2011. Desta vez, no Ministério Público Federal (MPF). Em 2013, a Polícia Federal iniciou uma investigação após solicitação do MPF.

O inquérito foi concluído pela Polícia Federal no final de 2016 e 15 pessoas foram indiciadas pelos crimes de formação de quadrilha, dispensa ilegal de licitação, prorrogação e concessão de vantagens ilegais em contrato público, desvios de verbas públicas, autorização de despesas em desacordo com as normas e falsidade ideológica. Na época, a PF revelou que entre os indiciados estavam sete servidores ou ex-servidores da Prefeitura de Divinópolis, um funcionário do alto escalão da Caixa Econômica Federal (CEF) e sete empresários, dos ramos de engenharia civil e imobiliário.

 Denúncia

 Marcelo relata ainda que, logo após sua denúncia, as obras do PAC foram paralisadas pelo MPF. O ex-aliado de Galileu reforça que em seguida o ex-prefeito trouxe à cidade o Pró-Transporte.

De acordo com Marcelo, a empresa que estava sendo investigada pelo MPF por causa das irregularidades do PAC foi a ganhadora para executar as obras do Pró-Transporte.

— Eu achei muito estranho, porque a mesma empresa com fraudes em licitação ganha no Pró-Transporte e denunciei de novo. A CGU [Controladoria Geral da União] veio a Divinópolis e comprovou novamente as irregularidades — afirma.

Segundo o ex-aliado do prefeito, a verba de R$ 26 milhões do Programa de Aceleração do Crescimento já está liberada e a Prefeitura fez uma nova licitação para executar as obras em Divinópolis. Porém, Marcelo garante que a empresa ganhadora está irregular e foi essa irregularidade que o fez trazer à tona as supostas ligações.

— Como eu usaria a tribuna na terça-feira, eles me ofereceram um cargo para não fazer isso. Para eu não falar de irregularidade do PAC. Se a empresa está irregular, como que um governo, sabendo de toda dificuldade e das licitações erradas, deixa uma empresa dessa ganhar novamente? — questiona.

 Ligação

 No primeiro áudio divulgado pelo ex-aliado de Galileu, onde supostamente os dois conversam, o prefeito começa a ligação lendo um documento para Marcelo referente ao PAC. Após ler parte e referir-se ao promotor público federal Lauro Coelho, Galileu supostamente diz ao ex-aliado que o recurso do PAC já está liberado e que foi feita uma nova planilha de custo para teste.

— Pois é. Foi, né? Já resolveu já, entendeu. Nós fizemos novas planilhas de custo, porque eu não queria receber nada sem testar a planilha de custo, entendeu? Então eu mandei fazer as planilhas de custo para testar e ver se estava tudo conforme os preços, né? E os que fizeram até agora, “deu”. Já foi liberado o PAC.

 Governo

 Após dois dias de divulgações de gravações, a Prefeitura se posicionou ontem sobre o assunto. Em nota, o Executivo diz:

“A Prefeitura de Divinópolis vem a público se posicionar sobre o que parece ser uma tentativa maliciosa de promover uma sensação de instabilidade na administração municipal com o uso de material de áudio atribuído ao prefeito sem comprovação de veracidade ou mesmo com possível edição prévia. É importante destacar que mesmo não havendo nenhuma comprovação de autenticidade, já que a gravação apresenta sons de pausa e corte, o conteúdo divulgado não apresenta nenhuma irregularidade. 

Diante das habilidades ressaltadas pelo denunciante, foi informado que, na condição de gestor, ele teria a função de coordenar os trabalhos, não sendo necessário que o mesmo fosse o responsável pela execução de todo o trabalho. Ou seja, cabe ao coordenador, diante de sua capacidade, exigência básica da administração municipal para nomeação, supervisionar, gerenciar e orientar equipes.

Qualquer outra conotação dada ao diálogo, ressaltado-se novamente a existências de sons que indicam edição do material, pode ser considerada mero devaneio ou mesmo uma tentativa de se criar factóides e induzir a população ao erro. O Município também reafirma seus compromissos com os divinopolitanos, pautando-se pela realização de ações e serviços de alcance social.”

 

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