Grande lição

Mais um ano está perto do fim e mais uma vez a revisão da Planta de Valores do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) será possivelmente “engavetada” pelos vereadores.  A situação foi assim de 2018 para 2019 e pelo andar da carruagem ser repetirá deste ano para 2020. O projeto de lei foi protocolado pela Prefeitura na Câmara em outubro do ano passado e, desde então, recebeu várias emendas. Hoje, a proposta está à espera de ser pautado pelo presidente do Poder Legislativo, Rodrigo Kaboja (PSD) no apagar das luzes. Isto é, se o relatório da CPI do IPTU for colocado para votação, na quinta-feira da próxima, 27. Ah, para a reunião de hoje, a expectativa está por conta da apreciação do relatório dos áudios.  Ao longo do ano, o Agora por meio deste espaço ou em reportagens, fez vários questionamentos sobre o porquê de a proposta não ter sido colocada para votação ainda. Quais interesses ou quem estaria por trás do travamento desta pauta, em específico. E pode ser a própria Prefeitura, por que não? Vale lembrar que o processo de georeferrenciamento ainda não foi totalmente concluído pelo Executivo.  Diz o ditado que “relembrar é viver”. Então, é bom recordar o caos que virou a Câmara em 2017, quando os vereadores derrubaram o primeiro projeto de lei que previa a revisão da planta. O que teve de parlamentar que usou o tema para fazer politicagem nem é possível contar.

Em 2017, o Legislativo venceu o Executivo. Na época soou bem aos vereadores usarem o assunto como palanque eleitoral e que caiu no gosto do povo. Em 29 de dezembro, dia da votação do projeto, a Câmara estava cheia como nunca havia estado naquele ano. A população tomou conta e, como dizem por aí, “deram palco para doido”. A proposta foi rejeitada, e 2018 chegou. Quando o ano começava a se despedir, a Prefeitura mais uma vez tentou emplacar a pauta. Mas, ali, o momento era outro. Um grupo de WhatsApp que atiçava a população a participar da política havia acabado, devido à má conduta dos administradores. Os vereadores agora estavam “sozinhos”. Teriam que trabalhar com raciocínio, técnica, e não com populismo, como havia sido feito em 2017. Um ano se passou e a revisão está perdida por aí, em alguma gaveta do Poder Legislativo. Mas, a pergunta de ouro é: por quê?

Por que terminar 2019 com uma pauta tão importante como essa engavetada? Por que não sentar, discutir, pesar os prós e contras e decidir o que é melhor para a população? Por que deixar para um ano político a resolução de um assunto tão importante? Com certas atitudes que ser ver no dia a dia da Câmara, a impressão que se tem é que vereadores não têm maturidade o suficiente para lidar com o assunto? Por que começar um novo ano com um velho problema? E que problema! Diante de tais questionamentos, dos quais muitos não têm resposta, a única verdade é que o eleitor pode se preparar para a politicagem que será feita em 2020 e também para exercer o seu papel com responsabilidade em outubro do ano que vem. Afinal, devemos escolher representantes que trabalhem com seriedade, técnica, e que não vivam de “jogar para a plateia”. Pois, se eles estão lá, é para escolher o melhor para a população, mesmo que doa.

2019 quase se despede deixando uma grande lição para os divinopolitanos: nem tudo que reluz é ouro. Nem todo discurso que defende a moral e os bons costumes é o melhor para um povo. Afinal, é bem aquilo que dizem por aí: de boas intenções o inferno está lotado.

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