Governo de Minas intensifica ações para reduzir impactos da greve dos caminhoneiros

Da Redação

Desde a última semana, quando a paralisação dos caminhoneiros começou a afetar diretamente a logística de distribuição e consumo por todo o Brasil, o Governo de Minas criou um gabinete de crise com as secretarias e órgãos do Estado. O objetivo, informa, é reduzir os impactos do protesto.

A Secretaria de Estado de Saúde (SES) tenta minimizar quaisquer impactos na prestação de serviços do Sistema Único de Saúde (SUS). No âmbito da SES ainda foi criada uma sala de situação para monitorar qualquer ocorrência adversa que possa aparecer e, assim, buscar soluções emergenciais.

— A rápida mobilização dos gestores, bem como a integração entre as 28 unidades regionais de saúde de todo o Estado estão sendo fundamentais neste momento — diz o governo, por meio de nota.

Para o secretário estadual de Saúde, Nalton Sebastião Moreira da Cruz, o movimento tem sido fundamental para discutir os problemas e tentar mitigar qualquer efeito sobre a saúde da população.

— O estado é muito grande, com seus 853 municípios e área territorial bastante extensa. Além disso, nós temos as questões individuais de cada localidade, como fazer como que os insumos cheguem para o tratamento de hemodiálise e oncologia das regiões mais distantes e também ajudar os municípios a fazer o transporte desses pacientes — diz o secretário.

A subsecretária de Gestão Regional da SES, Márcia Faria Moraes Silva, também destaca a atuação.

— As regionais são a ponta do estado. É onde a gente tem o contato mais direto com os municípios e com os prestadores de serviço. Elas estão trabalhando no sentido de identificar o que está acontecendo, quais as ações correm o risco de serem interrompidas e, ao nos repassar essas informações, podemos juntos buscar as melhores soluções — diz.

Ainda segundo o secretário de Saúde Nalton Sebastião, as demandas da saúde são levadas diariamente ao gabinete de crise.

— A saúde está sendo tratada como área prioritária pelo comitê criado pelo governador Fernando Pimentel, a fim de diminuir os impactos dos problemas causados pela greve — ressalta.

Atuação conjunta

O chefe de Gabinete da SES, Lisandro Carvalho de Almeida Lima, diz que tem havido contato direto com hospitais, prestadores de serviço e clínicas para analisar pontualmente quais são as necessidades dos cidadãos.

— Quando vemos que há alguma baixa dos insumos, por exemplo, fazemos o levantamento das demandas, elegemos as prioridades da SES e repassamos ao gabinete de crise do Estado para buscarmos a melhor solução — ressalta.

Medicamentos

A SES foi notificada na quarta-feira, 23, pelos Correios, sobre a interrupção dos trabalhos de entrega de medicamentos e insumos. Atualmente, a logística é realizada por meio do contrato de prestação de serviços da SES com os Correios. No dia seguinte, 24, a SES contranotificou os Correios, destacando a importância de se manter a distribuição dos medicamentos.

A contranotificação surtiu efeitos e os Correios darão prioridade a essas entregas.

— Nós estamos atuando na tentativa de garantir a chegada dos medicamentos mais essenciais para as farmácias do Estado — reforça o subsecretário de Políticas e Ações de Saúde da SES, Homero Cláudio Rocha Souza Filho.

Foi registrada até o momento apenas a falta de antirretroviral no município de Araguari, no dia 25. Diante do quadro, a SES solicitou um pedido emergencial para que o Município não ficasse desabastecido. A situação foi contornada no mesmo dia. Não foi registrada falta dos demais medicamentos no Estado.

Na última segunda-feira, 28, caminhões da SES estão fazendo a entrega de medicamentos termolábeis nas regiões Sul e Triângulo e dos demais medicamentos para todo o Estado, garantindo, assim, a continuidade do abastecimento.

Hospitais

A recomendação para todo o Estado é que se priorize os serviços de urgência e emergência.

— Vale lembrarmos que esse é um momento de alguma escassez dos recursos, não só no Estado como também nos municípios e, por isso, temos que priorizar o atendimento ao que é mais importante. Por isso, atendimento de suporte avançado à vida, situações de urgência e emergência, bem como atendimento à oncologia e hemodiálise são as prioridades — destaca Homero Filho.

Cirurgias eletivas

As cirurgias eletivas no Estado foram suspensas desde a última sexta, 25. Essa decisão partiu dos próprios municípios, tendo em vista que a prioridade, no momento, é a urgência e emergência.

Segundo a superintendente de Programação Assistencial da SES, Zeila de Fátima Abrão Marques, as cirurgias eletivas foram suspensas porque são cirurgias programadas, que não incorrem em risco de vida ou de agravamento do quadro clínico se não forem realizadas imediatamente.

— A remarcação da data irá depender de nova agenda dos profissionais, quando encerrar a situação de contingência e será feita pelo município de residência do paciente junto ao seu prestador ou no município executor da cirurgia — explica.

Já as centrais macrorregionais de regulação de acesso aos leitos hospitalares para os casos de urgência/emergência, permanecem funcionando 24 horas por dia. Esse serviço visa realizar a regulação dos casos que necessitam de internação ou transferência para outro serviço.

Vacinas

A rede de saúde pública está devidamente abastecida, inclusive, da vacina contra a gripe, cujo período de vacinação irá até 1º de junho. Não houve nenhuma ocorrência negativa desde o início da paralisação dos caminhoneiros.

Cabe à SES a distribuição das vacinas e aos municípios por meio dos postos de saúde, o atendimento direto ao usuário.

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